Em uma entrevista ao Jornal da Top, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, a presidente do Sindicato dos Condutores de Ambulância de Mato Grosso do Sul (Sindcon-MS) e vice-presidente da Associação Brasileira de Condutores de Ambulância (Abramca), Poliana Ferro, compartilhou os principais desafios da categoria, os avanços na legislação federal e seus novos passos rumo à esfera política no estado como pré-candidata a deputada estadual pelo PSDB.
Uma Trajetória Guiada pela Paixão e Superação
Filha do motorista de caminhão Milton Ferro, Poliana conta que sua paixão pelo trânsito e pelas estradas começou logo cedo, aos 11 anos de idade. Inicialmente focada em carreiras de resgate e segurança pública, como a polícia ou o corpo de bombeiros, ela acabou encontrando sua vocação no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
Com uma sólida carreira de 18 anos como condutora de ambulância, Poliana acumula grande experiência prática e pioneirismo no interior do estado:
- Início de Carreira: Foi a primeira mulher condutora de ambulância no município de Corguinho, onde atuou por 1 ano e 9 meses.
- Evolução: Atuou por mais 9 meses no município de Rochedo após aprovação em concurso público.
- Capital: Desde 2012, atua de forma concursada em Campo Grande. Além da prática de condução em situações de emergência (código três), possui formação e propriedade técnica como instrutora de trânsito para categorias que vão desde a “A” até a “E”.
Os Desafios e Direitos dos Condutores no Brasil
Durante a entrevista, Poliana trouxe dados alarmantes e detalhou as batalhas travadas pelas frentes associativas em Brasília. Ela destacou que o Brasil conta atualmente com cerca de 1,5 milhão de profissionais na área. No entanto, a falta de padronização nas contratações municipais prejudica a fiscalização dos direitos trabalhistas.
Principais pontos discutidos na entrevista:
- Conquista do Duplo Vínculo: Uma das grandes vitórias recentes da categoria foi a aprovação do PL 15/2025 (regulamentado em 3 de novembro), que reconhece os condutores de ambulância como profissionais oriundos da saúde. A lei concede a esses profissionais o direito ao duplo vínculo trabalhista, permitindo que acumulem cargos de forma legalizada (desde que não haja conflito de horários), nos mesmos moldes de médicos e enfermeiros.
- Precarização Salarial e Falta de Benefícios: Poliana denunciou o cenário de extrema precarização enfrentado por diversos profissionais no estado. Citou o exemplo do município de Anastácio (MS), onde o salário base de um condutor já chegou a ser registrado em R$ 543. Ela também expôs que seu próprio salário base em Campo Grande é de R$ 1.112 e alertou que a prefeitura da capital e cerca de 30% dos municípios do estado não realizam o pagamento do adicional de insalubridade e periculosidade sem que haja judicialização.
- A Realidade do Trânsito: Como instrutora, a entrevistada lamentou a falta de preparo e educação dos motoristas nas autoescolas, pontuando que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece que veículos de emergência têm prioridade e não apenas preferência. A falta de penalidades severas para quem obstrui as vias atrasa o socorro e coloca vidas em risco devido ao medo ou falta de inteligência emocional dos condutores comuns.
Inclusão e o Projeto de Candidatura Coletiva
Persistindo na busca por representatividade direta para aprovar leis de suporte à saúde e ao funcionalismo público, Poliana Ferro confirmou sua pré-candidatura para a Assembleia Legislativa em 2026. Nas eleições passadas para o cargo de vereadora, o grupo obteve uma votação expressiva de 2.776 votos, alcançando a suplência.
Para o pleito de 2026, a estratégia consiste em uma candidatura coletiva pelo PSDB, composta por quatro líderes de diferentes frentes de atuação social e do serviço público:
- Poliana Ferro: Representando a saúde, o nicho de condutores e a pauta das mães atípicas.
- Paulina: Presidente do Sindicato de Gestão Estratégica de Campo Grande e atuante no setor vicentino de assistência social.
- Thiago Baratelli: Presidente do setor Administrativo da Saúde, profissionais que atuaram na linha de frente regulatória das UBSs e UPAs durante a pandemia.
- Dani: Fundadora da Fundação Mãe Águia, instituição que atua diretamente no acolhimento e proteção de crianças vítimas e traumatizadas pelo feminicídio e abusos domésticos.
A entrevista completa e outros detalhes sobre as ações do Sindcon-MS e do coletivo de servidores podem ser acompanhados diretamente através das redes sociais oficiais do projeto e na programação diária da Rede Top FM.






