A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, encerrou a semana entrevistando o presidente da CUT-MS (Central Única dos Trabalhos de Mato Grosso do Sul), Vilson Gimenez Gregório, que tratou da luta sindical pela aprovação do fim da escala de trabalho 6×1, visando melhorar a qualidade de vida e saúde dos trabalhadores, além de discutir a organização sindical e temas relacionados à jornada de trabalho e saúde mental no ambiente laboral.
“O fim da escala de trabalho 6×1 é um dos principais desafios atuais para a melhoria das condições de vida da classe trabalhadora brasileira e precisamos de organização sindical para garantir direitos e enfrentar os desafios do mercado de trabalho”, reforçou.
Segundo o dirigente, a CUT é a maior central sindical do Brasil, da América Latina e a quinta maior do mundo, reunindo sindicatos e federações de diversos setores econômicos. “Em Mato Grosso do Sul, a entidade atua no fortalecimento das organizações sindicais e na defesa dos trabalhadores diante de um cenário considerado adverso para a categoria”, revelou.
No momento, conforme ele, entre as principais bandeiras defendidas pela central está o fim da escala 6×1, modelo de jornada em que o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias consecutivos e tem apenas um dia de descanso. “Para a CUT-MS, a mudança representa um avanço necessário para garantir mais qualidade de vida, saúde física e mental, convivência familiar e oportunidades de qualificação profissional, sem que haja redução salarial”, assegurou.
Vilson Gregório ressaltou que a mobilização sindical foi fundamental para levar o debate ao Congresso Nacional e defendeu que o período eleitoral representa uma oportunidade estratégica para pressionar parlamentares a apoiarem medidas favoráveis aos trabalhadores.
A proposta, no entanto, enfrenta resistência de setores empresariais, que argumentam não haver estudos suficientes sobre os impactos econômicos da mudança e questionam a discussão em um ano eleitoral. “A CUT-MS sustenta que a redução da jornada deve ser encarada como um investimento na saúde dos trabalhadores e no aumento da produtividade”, declarou.
O dirigente também criticou a postura adotada durante a aprovação da reforma trabalhista, afirmando que as mudanças ocorreram sem amplo diálogo com os representantes dos trabalhadores. “A participação popular e a pressão social continuam sendo instrumentos essenciais para influenciar decisões políticas relacionadas ao mundo do trabalho”, pontuou.
Ao comparar a realidade brasileira com a de outros países, Vilson Gregório observou que a jornada média semanal no Brasil gira em torno de 40 horas, próxima ao limite legal de 44 horas, enquanto em nações europeias como Dinamarca, Alemanha, Noruega, Bélgica, Irlanda e Finlândia, a média varia entre 32 e 35 horas semanais, refletindo uma tendência internacional de redução da carga horária e valorização do bem-estar dos trabalhadores.
Outro tema abordado foi a implementação da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR1), que trata da gestão de riscos ocupacionais e das condições de trabalho. “Embora sua aplicação tenha sido adiada, a expectativa da CUT-MS é de que a norma fortaleça a fiscalização das empresas e amplie a proteção à saúde mental dos empregados”, disse.
De acordo com o presidente da CUT-MS, as novas exigências poderão contribuir para combater práticas de assédio moral e cobranças excessivas no ambiente de trabalho, além de possibilitar denúncias e ações judiciais contra empresas que descumprirem as regras de proteção aos trabalhadores.
Durante a entrevista, Vilson Gregório também destacou o crescimento econômico de Mato Grosso do Sul e a geração de empregos observada nos últimos anos. “Apesar do cenário positivo, ele afirmou que os desafios para a classe trabalhadora permanecem significativos e reforçou a necessidade de manter a mobilização sindical”, abordou.
Para o dirigente, o debate sobre o fim da escala 6×1 está diretamente ligado à saúde mental, ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal e à valorização da mão de obra. Trabalhador do setor frigorífico e sindicalista de longa trajetória, Gregório defendeu ainda que os trabalhadores busquem conhecer seus direitos e acompanhar de perto as pautas discutidas pelas entidades representativas.
A CUT-MS avalia que a luta pela redução da jornada de trabalho representa uma conquista histórica e necessária, capaz de promover melhores condições de vida para milhões de brasileiros. “A entidade acredita que a participação ativa dos trabalhadores e a pressão junto aos representantes políticos serão decisivas para o avanço da proposta nos próximos meses”, projetou.
Assista a entrevista completa pelo link:









