Moradores denunciam possível funcionamento irregular de siderúrgica e pedem fiscalização do Ministério Público

Arquivo/reprodução

Moradores de Aquidauana encaminharam uma denúncia ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) relatando possíveis irregularidades ambientais envolvendo a siderúrgica SIMASUL.

Segundo os denunciantes, a empresa estaria operando dois altos-fornos ao mesmo tempo, embora a licença ambiental atualmente em vigor autorizaria apenas a operação comercial de um deles.

Os moradores pedem que o Ministério Público acompanhe o caso e solicite uma fiscalização imediata do Imasul para verificar se a empresa está cumprindo todas as exigências ambientais.

O que está sendo questionado?

O principal ponto da denúncia é que os dois altos-fornos da empresa estariam funcionando simultaneamente.

De acordo com os denunciantes, essa operação teria aumentado a produção diária para aproximadamente 600 toneladas de ferro-gusa, quantidade que seria superior ao limite atualmente autorizado pelo licenciamento ambiental.

Eles também afirmam que um dos altos-fornos ainda estaria em fase de comissionamento — etapa destinada à realização de testes e ajustes antes da autorização definitiva para operação comercial — mas que já estaria produzindo normalmente.

O que é a Licença de Operação?

A Licença de Operação (LO) é a autorização concedida pelo órgão ambiental para que uma indústria possa funcionar regularmente.

Antes da emissão dessa licença, o empreendimento precisa demonstrar que atende às exigências da legislação ambiental. Entre elas está a comprovação, por meio de monitoramentos e estudos técnicos, de que as emissões atmosféricas permanecem sob controle e dentro dos limites permitidos pelas normas ambientais.

Os denunciantes sustentam que essas condições ainda precisariam ser verificadas antes da autorização definitiva para funcionamento do equipamento.

Histórico apresentado na denúncia

A representação encaminhada ao Ministério Público afirma que existem questionamentos ambientais envolvendo a empresa desde o início de suas atividades.

O documento menciona reclamações antigas de moradores relacionadas à emissão de poeira, ruídos e ao monitoramento da qualidade do ar.

Também cita fiscalizações do próprio Imasul que teriam identificado irregularidades ambientais e aplicado sanções administrativas à empresa.

Preocupação dos moradores

Os moradores afirmam que o funcionamento simultâneo dos altos-fornos pode aumentar a emissão de partículas conhecidas como “pó preto”, além de outros gases provenientes do processo siderúrgico.

Segundo a denúncia, moradores relatam há anos o acúmulo desse material sobre casas, veículos, móveis e vegetação próximos à unidade industrial.

Outra preocupação apontada é a necessidade de monitoramento contínuo das emissões atmosféricas para verificar se a atividade está dentro dos padrões exigidos pela legislação.

O que os denunciantes pedem?

Na representação encaminhada ao Ministério Público, os moradores solicitam:

  • fiscalização imediata da unidade industrial;
  • verificação da operação dos dois altos-fornos;
  • análise das emissões atmosféricas;
  • conferência do volume efetivamente produzido;
  • adoção das medidas administrativas e legais cabíveis caso sejam constatadas irregularidades.

Documentos consultados indicam que a empresa comercializa sua produção com empresas pertencentes a um conglomerado internacional.

Até o momento, as informações apresentadas correspondem às alegações constantes da denúncia, cuja apuração depende da atuação dos órgãos ambientais e do Ministério Público, assegurando-se à empresa o direito ao contraditório e à ampla defesa.

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