A 1ª edição do programa Jornal da Top, O Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, encerrou a semana, nesta sexta-feira (17), entrevistando o professor Roberto Mateus, conhecido por sua trajetória na educação e seu extenso trabalho comunitário, para falar do atual sistema educacional, bem como do seu engajamento social e político.
Da sala de aula ao trabalho comunitário, ele disse que sua trajetória como educador em Campo Grande é marcada por iniciativas que buscam transformar a realidade social por meio da educação e do engajamento direto com a comunidade.
“Minha carreira começou no setor bancário, mas tomou outro rumo ainda cedo. Formado em Filosofia aos 17 anos, rapidamente ingressei no magistério, lecionando em instituições como o Colégio Dom Bosco e na Reme (Rede Municipal de Ensino). Posteriormente, conquistei o primeiro lugar em concurso público para especialista de educação no Estado, consolidando minha atuação na área educacional”, recordou.
Ao longo da carreira, Roberto Mateus destacou-se pela defesa de uma educação participativa. “Fui um dos responsáveis pela construção da primeira proposta curricular de Campo Grande, baseada na contribuição direta de professores, valorizando a experiência de quem está em sala de aula”, disse, completando que gosta de se autodeclarar um professor “revolucionário”, pois sempre buscou romper com modelos tradicionais e incentivar práticas inovadoras.
Para o educador, uma de suas críticas recorrentes está na descontinuidade de políticas públicas educacionais. “Mudanças de gestão costumam interromper projetos bem-sucedidos, prejudicando o desenvolvimento a longo prazo. Também quero apontar a falta de liberdade pedagógica como um entrave, já que o excesso de controle e centralização limita a criatividade dos professores e inviabiliza atividades práticas fora do ambiente escolar”, opinou.
Durante sua atuação no ensino privado, ele promoveu experiências que aproximavam estudantes de diferentes realidades sociais. “Os meus alunos eram levados a bairros periféricos, como o Grande Aero Rancho e o Dom Antônio Barbosa, para ampliar a compreensão deles sobre desigualdades e diversidade urbana”, afirmou.
Na gestão escolar, Roberto Mateus obteve resultados expressivos. “Como diretor da Escola Sílvio, no Aero Rancho, mobilizei professores que passaram a oferecer aulas de reforço voluntariamente aos fins de semana. A iniciativa resultou na aprovação da primeira aluna da periferia no curso de Jornalismo da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), sem o uso de cotas”, orgulhou-se.
Após a aposentadoria, o professor falou que manteve o ritmo de atuação, agora voltado ao trabalho social. “Fui um dos responsáveis por introduzir e popularizar a prática de Zumba em Campo Grande e no Estado, utilizando a atividade como ferramenta de promoção de saúde, autoestima e integração social por meio de sua academia e da Equipe RM”, revelou.
À frente da Associação de Moradores do Aero Rancho (AMOCARD 7), em Campo Grande (MS), ele assumiu uma estrutura considerada precária e promoveu mudanças significativas. “O atendimento no chamado ‘Hiper Dia’, que antes reunia cerca de cinco pacientes, passou a alcançar entre 190 e 200 pessoas por edição. Atualmente, a associação atende entre 680 e 740 moradores por mês”, celebrou.
Sem apoio financeiro do poder público, Roberto Mateus informou que a manutenção das atividades depende da contribuição da comunidade, que ajuda a custear despesas como internet, sistema de câmeras e iluminação. “Equipamentos da minha antiga academia também foram levados para o espaço, ampliando os serviços oferecidos”, comentou.
Ele define o papel do líder comunitário como o de um “vereador sem mandato”, responsável por intermediar demandas básicas como iluminação pública, reparo de vias e limpeza de áreas comuns, muitas vezes sem respaldo institucional. “Além disso, também me dedico à causa animal, cuidando diariamente de cerca de 18 gatos no local”, revelou, informando que sua rotina é intensa, começando o dia começa às 3h30, com a abertura do centro comunitário.
O líder comunitário ressaltou que o envolvimento político sempre esteve presente na sua vida, impulsionado principalmente pelo incentivo da própria comunidade. “Apesar de reconhecer dificuldades estruturais e financeiras para uma candidatura, tenho base consolidada, pois obtive 800 votos na última eleição. Recentemente, deixei o PDT por divergências internas e agora avalio o PCdoB como uma sigla mais alinhada ao meu perfil e atuação social”, garantiu.
Ao final da entrevista, ele fez um apelo à administração municipal para maior atenção às demandas das comunidades, especialmente em áreas como iluminação pública e infraestrutura. “A ausência desses serviços impacta diretamente a segurança e a qualidade de vida dos moradores, além de dificultar o trabalho de lideranças locais”, concluiu.






