Emendas Parlamentares sem mandato? Eu também quero!

Quem não tem mandato não tem competência legal. Ponto final.
Foto IA

Senhoras e senhores, eu preciso confessar: estou prestes a rasgar o meu diploma, fritar os meus últimos neurônios e pedir internamento voluntário no hospital mais próximo! Eu só posso estar ficando completamente doido, biruta, varrido de pedra! Ou isso, ou o Brasil finalmente atingiu o ápice do “Surrealismo Político Absoluto”.

A criatividade dos nossos políticos para arrumar uma “boquinha” e desviar uns trocados — que, convenhamos, nunca são trocados, mas sim milhões e bilhões de reais — sempre foi de aplaudir de pé. Mas a última novidade no mercado da malandragem superou todas as expectativas! O novo conceito de empreendedorismo governamental é simplesmente genial: indicar emenda parlamentar sem ter mandato!

Isso mesmo que você leu, meu caro leitor! Você não precisa carregar o piano de fazer campanha, não precisa pedir voto, não precisa gastar sola de sapato e muito menos pisar no plenário. Basta ser presidente de partido e voilà: a mágica acontece!

E o que me deixa com o estômago revirado e, ao mesmo tempo, com um sorriso nervoso de puro pânico, é ver pré-candidato à Presidência da República vindo a público, com a maior cara de paisagem do mundo, dizer que isso é “normal” e uma “atividade legítima”. Ah, faça-me o favor! Legítimo?! Desde quando o Orçamento da União virou o talão de cheques particular de cacique partidário? É de rir para não chorar!

O que diz a Legislação:

Pela Constituição Federal e pelo Portal da Transparência, a prerrogativa formal de indicar e destinar verbas federais é exclusiva dos 594 congressistas eleitos (deputados federais e senadores). Quem não tem mandato não tem competência legal para alocar um único centavo de recurso público. Ponto final.

Mas a Polícia Federal e o ministro do STF, Flávio Dino, resolveram estragar o churrasco dos mágicos do orçamento. O ministro mandou bloquear nada menos que R$ 119,2 milhões em bens do presidente do PL. A PF descobriu que o homem controlava as emendas de comissão usando “laranjas” (falsos parlamentares solicitantes) direto no celular de uma servidora da Câmara. Foram 21 emendas caçadas entre 2024 e 2026, mandando rios de dinheiro da saúde e do turismo para cidades como Porto Seguro (BA). Ô, vida boa!

Tive uma Ideia…

Diante disso, cheguei a uma conclusão lógica e maravilhosa. Se os grandes líderes políticos juram de pés juntos que fazer isso é legítimo, eu também quero!

Por que só eles? Chega de pagar imposto sorrindo e ficar só olhando a festa dos outros! Vou me filiar a um partido amanhã mesmo, dar um golpe de Estado interno na liderança, virar o presidente da legenda e começar a minha própria distribuição de bondades com o dinheiro alheio. Quem vem comigo assinar a ficha de filiação?

Vou começar pequeno, jogando em casa, bem aqui na Câmara Municipal de Campo Grande. Afinal, a previsão de orçamento para 2027 passa dos R$ 7 bilhões! Como “presidente de partido sem mandato e cidadão altamente indignado”, já vou chegar carimbando as minhas emendas: quero uma dinheirama para o “Tapa-Buraco” e asfalto (porque as nossas ruas estão parecendo a superfície da Lua!), e outra bolada caprichada para a saúde e a educação.

Depois de arrumar a casa, vou dar um pulinho na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Lá, vou indicar recursos para a segurança, novos asfaltos e, principalmente, para a educação — porque a nossa classe política está precisando urgentemente de umas aulinhas reforçadas de moral e cívica!

Será que vai dar certo? Bem, se o homem forte do partido PL pode, por que eu não posso? Se a moda pega, daqui a pouco todo brasileiro vai estar indicando verba e controlando o Orçamento da União!

Como diria o genial e sarcástico Barão de Itararé: “Tudo seria mais fácil se não fossem as dificuldades…”

Por Antonio Ueno — Cientista Político

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