As propostas de Lucien Rezende (PSOL) ao governo de MS

Foto IA

Conforme o tabuleiro eleitoral de Mato Grosso do Sul ganha contornos definitivos, o PSOL se movimenta para liderar o embate ideológico contra o conservadorismo hegemônico na região, tradicionalmente sustentado pelas bases do agronegócio. Com duas décadas de militância, Lucien Rezende, pré-candidato ao governo estadual, defende que sua postulação é uma necessidade de oposição programática. “Quero reforçar o caráter ideológico do meu partido para defender uma atuação política baseada em coerência”, afirma.

Essa busca por coerência pautou as duras críticas de Rezende à recente janela partidária, movimento que ele classificou como um “pula-pula de partidos por conveniência eleitoral”, onde políticos mudam de sigla focando apenas no pleito e voltam a se alinhar depois. Segundo ele, o PSOL adotou uma postura cautelosa, focando em quadros alinhados com a pauta ambiental e com o cumprimento da cláusula de barreira. No xadrez de alianças, a federação com a Rede Sustentabilidade está mantida — com Beto do Movimento cotado para o Senado —, enquanto a nível nacional o partido optou por não se federar ao PT para garantir autonomia: apoiar o governo Lula quando necessário, mas manter a liberdade de votar contra propostas que prejudiquem os trabalhadores.

Classificando a atual gestão estadual como alinhada ao bolsonarismo, Rezende promete um modelo focado na humanização e no diálogo com os sindicatos. Entre suas prioridades absolutas está o combate à violência de gênero. Diante do aumento dos casos de feminicídio, ele defende a qualificação urgente dos agentes de segurança para o acolhimento das vítimas e a inclusão de conteúdos de combate ao machismo nas escolas desde a pré-adolescência. Na saúde e na educação, o pré-candidato aponta gargalos crônicos, criticando a lentidão na regionalização do atendimento médico e a disparidade de direitos entre professores temporários e concursados.

No campo trabalhista, a principal bandeira de Lucien é a abolição da escala 6×1, que ele define como um “retrocesso ultrapassado” com impacto brutal sobre a saúde mental e sobre as mulheres, que enfrentam múltiplas jornadas. Sua proposta prevê uma transição inicial para a escala 5×2 e, futuramente, para a 4×3, gerando novos postos de trabalho sem redução salarial. Para financiar as mudanças e aliviar a máquina pública, sua primeira medida econômica seria o corte rigoroso de benefícios e privilégios dentro do próprio governo.

Contestando o discurso oficial de um “Estado perfeito”, o pré-candidato aponta a existência de diversas obras paradas no interior e assume o compromisso de recuperar as estradas vicinais, vitais para o tráfego rural. Outro foco de seu plano de governo é o déficit habitacional em cidades de rápido crescimento industrial, como Três Lagoas e Inocência. Como credencial para gerenciar essas crises, Rezende cita sua experiência como secretário municipal em Ribas do Rio Pardo durante a instalação da megafábrica de celulose da Suzano. “Precisei adquirir experiência rapidamente. Foi como trocar o pneu do carro a 100 km/h para gerenciar o boom populacional e a demanda pública”, recorda.

Admirador de figuras como a deputada federal Erika Hilton e crítico ferrenho da atuação do senador Flávio Bolsonaro, Lucien Rezende prevê uma campanha polarizada, mas confia que o eleitor sul-mato-grossense buscará coerência. Para ele, o futuro do Estado depende de um debate de alto nível que priorize a defesa da democracia, os direitos dos trabalhadores e a soberania nacional.

“A gestão estadual tenta maquiar indicadores e priorizar o discurso em detrimento de soluções concretas. Defendo uma gestão humanizada.” — Lucien Rezende

Por Antonio Ueno, Cientista Político

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