Desde que nasceu, em fevereiro de 2014, o pequeno Mig, como é chamado, não conhecia nada além da ala pediátrica do Hospital Celso Pierro, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), em Campinas.
O menino nasceu prematuro, com 28 semanas de gestação, pesando pouco mais de 1 quilo e medindo apenas 34 centímetros.
Durante meses, com um pulmão só funcionando, o bebê lutou bravamente pela vida.
Nesta quarta-feira, 19, quando finalmente recebeu alta, estava com 12 quilos e 84 centímetros.
“Ter ele em casa assim, cheio de vida e energia, todo sorridente, é um grande milagre. Deus iluminou muito a equipe médica que cuidou dele”, disse a mãe, a costureira Lívia da Silva Monteiro, de 33 anos.
Luiz Miguel ainda é alimentado por sonda e tem a ajuda de um respirador mecânico.
Isso não impediu que acordasse alegre, às 9 horas, fazendo festa com a irmãzinha Lavínia, de 7 anos.
“Ele já está grudado na Lavínia, chama ela a todo momento. Os dois são muito ligados desde que ele pôde receber visitas no hospital”, conta a mãe.
Mig conheceu também seu novo companheiro animal, a cachorra Serena, que vai substituir o vira-latas Fred, o “medicão” que acompanhou sua recuperação no hospital.
“Apresentamos a Serena a ele pela janela, pois ele ainda não pode sair do quarto”, explicou a mãe.
Nas primeiras semanas, o menino terá de se contentar com o interior da casa, já que depende de equipamentos para se alimentar e respirar.
Isso não impediu que tomasse um suco de frutas e fizesse um almoço farto em seu primeiro dia de “lar doce lar”.
“Adaptamos o quarto para o conforto dele, mas a cama é normal, tem apenas um sistema para baixar os pés quando ele quer descer”.
Lavínia deixou o serviço numa confecção para cuidar do filho, que também tem o suporte de uma equipe de home care, com enfermeira 24 horas, fisioterapeuta e acompanhamento médico.
O sustento da casa está por conta do marido e pai da criança, o policial militar Lúcio Filomeno, de 30 anos.
“O pai já avisou que, em suas folgas, ele assume o Luiz Miguel. Achamos que logo ele vai querer ir brincar no quintal”, disse a mãe.
A família mora numa casa térrea, no Parque das Monções. Os familiares receberam treinamento intensivo na PUC para cuidar do menino.
O avô materno Sizemar Monteiro, de 66 anos, também ajuda a atender a criança.
A saída do hospital foi marcada por uma festa. A equipe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica e Neonatal se reuniu para a despedida.
“Até o Fred ficou emocionado”, disse Lavínia, referindo-se ao cão do Projeto Medicão da PUC, que ajuda a recuperação das crianças internadas.
De acordo com a médica Raquel Vieira da Silva, chefe da UTI Pediátrica, que acompanhou o paciente desde o início, Luiz Miguel é um caso especial.
Por causa da sua prematuridade, ele não estava totalmente formado ao nascer e o pulmão direito não se desenvolveu.
Após o parto, o bebê apresentou quadro de hemorragia intracraniana, hidrocefalia (excesso de líquido no cérebro) e uma anomalia no esôfago, o que resultou em cirurgias.
“Ele superou tudo com muita vontade de viver e agora, mais do que o atendimento intensivo, ele necessita dos cuidados da família.”
A presença do home care, com uma equipe multiprofissional, segundo ela, será necessária até que o menino ganhe maior mobilidade e reduza a dependência do suprimento de oxigênio.
A médica conta que, nesses três anos, a própria cidade melhorou sua estrutura em saúde para atender Luiz Miguel.
“Ele permaneceu no hospital o tempo necessário e teve uma família aqui, mas é sempre um ambiente hospitalar. Esperamos que em casa, com o convívio familiar, ele consiga certa liberdade para andar, brincar, até frequentar a escola. Não há nada como a casa da gente”, disse.





