Bife na chapa representa 30% dos casos de queimados da Santa Casa

Com   30%   dos   casos,   acidentes  com  o  bife  na  chapa  lidera  o  ranking  dos  pacientes  com queimaduras internados na Santa Casa de Campo Grande. Do início de 2016 até começo de fevereiro  deste  ano,  foram  160  ocorrências   de   queimaduras atendidas pelo hospital, desses, 53  foram  por  acidentes  com  a  chapa. Em segundo lugar estão os casos que envolvem líquidos quentes, como água, café, leite, entre outros. No mesmo período foram 43 casos.

De  acordo  com  o  setor  responsável pelo tratamento, o SUS (Sistema Único de Saúde) disponibiliza 16 leitos para vítimas de queimaduras, atualmente 100% deles estão ocupados.

O  descuido  em  um  dia  de  alegria se tornou pesadelo para duas  pessoas  que  moram  em  Ponta Porã  –a 329 km de Campo Grande–, e estão internadas na Santa Casa da Capital. Na noite do  dia  3  de  dezembro  do  ano  passado, um sábado, um grupo de amigos resolveu se encontrar na casa de um deles.

O   cardápio   da   noite   era   bife   na   chapa.   Tudo   pronto,   a  primeira  remessa  da  carne  foi  feita  e  distribuída  entre  as  pessoas, mas na hora de repor o etanol, usado para acender o fogo, aconteceu a tragédia. Duas pessoas ficaram com o corpo em chamas em fração de segundos.

“Era um encontro de casais, estavam  meu  marido,  o  dono  da casa e sua mulher. O fogo do disco  não  apagou  totalmente  e  o dono da casa foi reabastecer, foi quando aconteceu”, lembrou Cleonice   do   Santos,   30,   que   teve  50%  do  corpo  queimado.  “Quando  ele  [o  dono  da  casa]  abriu  o  galão  e  virou  para  colocar o combustível, o fogo, como se fosse uma explosão, veio em minha direção e me queimou. Eu estava dois metros de distância da chapa”, disse.

No  desespero,  vendo  a  mulher  rolar  no  chão,  o  marido  apagou as chamas com as próprias  mãos,  ele  também  teve queimaduras  leves,  mas  nada  grave.

O  dono  da  residência,  Anderson da Silva, 27, que estava segurando  o  disco  para  reacender o fogo, ficou com 80% do corpo  queimado.  “Na  hora  de  colocar  mais  etanol,  eu  acho  que  o  fogo  ainda  estava  aceso.  Eu segurava a chapa quando o meu  amigo  colocava  o  etanol,  nesse instante, o fogo pulou em mim”,  relatou.  “Com  o  corpo  em chamas, rolei no chão para apagar.  Algumas  pessoas  que  passavam  pela  rua,  com  suas  camisas, me ajudaram a apagar o fogo”, acrescentou.

Anderson  agora  diz  que  vai  continuar  com  o  “bifinho”  na chapa,  mas  vai  usar  o  gás  ou  o  carvão,  a  forma  mais  tradicional. “Eu sou caminhoneiro e trabalho com cargas perigosas, faço  muitos    treinamentos,    porém,  por  um  minuto  de  bobeira, me acidentei”, finalizou.

Cleonice  e  Anderson  estão  há   69   dias   internados,   com   queimaduras  de  terceiro  grau,  passaram por cirurgias de preenchimento da pele .

Eles devem passar por mais uma cirurgia. A volta  para  casa  deve  demorar,  pelo menos, mais 20 dias.

A   responsável   técnica   do   CTQ   (Centro   de   Tratamento   de Queimados) da Santa Casa, Gleicy Cardoso, diz que a média de  ocupação  dos  leitos  é  de  88%, porém, este mês, todos os quartos estão ocupados.

“Estamos   na   capacidade   máxima,  mas  temos  uma  ala  reserva   para   atender   novas   ocorrências.  Há  dois  anos,  a  média  era  de  seis  a  oito  internações,  mas  desde  agosto  do  ano  passado  até  janeiro  essa  média  só  aumentou,  agora  a  média é de 12 a 13 internações por mês”, disse.

Conforme o setor, hoje são 16 adultos  e  3  crianças  ocupando  os leitos na área de queimados do hospital.

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