'O medo da morte me fez redescobrir a vida'

Autor: Por Lucas Oliver*

10.01.2019

Há 4 anos, para Danieli Mathias, a vida de estabilidade trabalhando como funcionária pública, há mais de 20 anos, passou por uma reviravolta após descobrir um câncer de tireoide. Ela soube da existência do tumor por acaso, durante um exame com o dermatologista para descobrir a causa da queda de cabelo e ganho de peso.

Com o diagnóstico, vieram também a insegurança e o medo da morte. A doença foi o gatilho para que ela repensasse a própria vida, e a possibilidade de ter uma vida mais saudável.

“Eu chorava muito, pensei que fosse morrer, a palavra câncer é muito forte. Só consegui me acalmar quando o médico me explicou que as chances de cura eram grandes”, conta.

Com os exames, ela soube que o tumor estava pequeno, e que não precisaria fazer tratamentos severos, como a iodoterapia. Durante 1 ano e 2 meses, ela apenas tomou medicamentos para facilitar a remoção da tireoide. Após a cirurgia, ela conta que começou a ter problemas de peso, rapidamente engordou 22 kg, e em pouco tempo, foi novamente hospitalizada com suspeita de infarto. Os médicos então, a orientaram a fazer atividade física, e foi assim que ela descobriu no esporte uma maneira de cuidar da própria saúde.

Foi a vez então do marido, Alan Figueiredo Silva, ajudar. Ele vendeu a bicicleta que tinha e comprou outra, de modelo feminino, para que a esposa tivesse mais conforto, e 9 meses depois, outra para que pudesse acompanhá-la.

Depois de 1 ano já praticando exercícios com a bike, o casal decidiu fazer um percurso saindo de Miranda (MS), até Águas da Prata (SP), onde começa o Caminho da Fé, uma das maiores trilhas de peregrinações brasileiras, feita por devotos de Nossa Senhora Aparecida, inspirado no Caminho de Santiago de Compostela. Foram 1140 km percorridos com mais 3 amigos.

Ela relata que no primeiro dia de viagem pensou em desistir, ao chegarem em Crisólia (MG), e se depararem com morros e ladeiras. Algumas pessoas que viajavam com eles, acabaram desistindo e voltando.

“Enquanto pedalávamos em uma subida muito difícil, pensei em desistir e voltar. Mas, me lembrei do quanto eu já havia superado no último ano e continuei. O medo da morte me ensinou muito."

Ela conta que nem ela nem o marido eram devotos, mas que o caminho fez com que entendesse sua própria fé. O tempo todo, tinha em mente que quase havia morrido. A gratidão era por ter redescoberto a vontade de viver e aproveitar a vida, com uma força que nem ela sabia que tinha.

“Passamos por uma fase em que tive muito medo, o medo de morrer me marcou muito. Depois disso, voltei mais forte, não só física como espiritualmente”, afirma.



Ela e o marido estão planejando refazer o caminho, paras terem uma oportunidade de se desafiarem novamente, mas também de refletir em tudo o que passou.

Danieli diz ter planos de refazer o caminho, uma oportunidade não apenas de se desafiar, como ela acreditou ser no começo da viagem, mas também de repensar a vida. O trajeto deixou na lembrança a gentileza das pessoas, que, unidas pela fé aprenderam a cuidar uma das outras.

* estagiário sob a supervisão de Jaqueline Naujorks.

Fonte: G1/MS

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