Com ou sem Aliança, Bolsonaro não deve apoiar candidatos do PSL

Autor: DAIANY ALBUQUERQUE

26.02.2020

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não pretende apoiar candidatos a prefeituras do PSL. Essa declaração foi dada pelo chefe de Estado e reforçada por lideranças de Mato Grosso do Sul que trabalham para a criação do novo partido do presidente, o Aliança Pelo Brasil.

Para o deputado estadual Coronel David (PSL), essa já é uma discussão finalizada. “Esse negócio de ficar no PSL e falar que apoia o presidente é uma balela, porque quem realmente quer demonstrar esse apoio ao presidente tem que vir para o Aliança. Ele [Jair Bolsonaro] já fez essa declaração, que só apoia candidato do Aliança”, afirmou.

De fato, no dia 15 de janeiro deste ano, o presidente declarou, durante entrevista, que não ivai “se meter” nas eleições municipais deste ano se não houvesse candidatos do Aliança Pelo Brasil. “Se meu partido não tiver candidato, não vou me meter em política municipal no ano corrente, ponto final”.

Entretanto, em Campo Grande, o deputado estadual Capitão Contar, que é o pré-candidato do PSL pela prefeitura da Capital, tem usado o nome do presidente em suas redes sociais, assim como fez durante as eleições de 2018, quando estava no mesmo partido de Bolsonaro.

“Desde o início dessa caminhada pela reconstrução do Brasil, mantemos firmes a defesa das bandeiras em que acreditamos, nossa conduta de trabalho, nossa forma de votar projetos e todas as nossas ações pelo Brasil. Nossos posicionamentos são sempre pautados na ética, na transparência e na convicção em nossos valores, atuando sempre na defesa dos direitos dos brasileiros e pelo desenvolvimento do nosso país. Estamos juntos, Capitão Contar, senadora Soraya, presidente Jair Messias Bolsonaro e todos que acreditam na mudança de verdade, fortalecendo nossa luta, diariamente, com muito trabalho e dedicação por nossa pátria”, escreveu o deputado estadual em suas redes sociais.

Entretanto, o ex-presidente regional do PSL em Mato Grosso do Sul, Rodolfo Nogueira, classificou como “difícil” que esse apoio aconteça. “Não posso responder pelo presidente Bolsonaro, mas acho um pouco difícil o presidente apoiar alguém do PSL para prefeito ou para qualquer outro cargo”, declarou.

Essa divergência ocorreu porque o PSL passou por problemas internos em razão da briga entre Bolsonaro e o presidente nacional da sigla, Luciano Bivar. Após o rompimento dos dois e de vários episódios em que apoiadores de ambos os lados tentaram comandar a legenda, Bolsonaro anunciou sua retirada da agremiação e a criação de uma nova, o Aliança Pelo Brasil.

Entretanto, alguns dos políticos que nas últimas eleições apoiaram o presidente e entraram no PSL para chegar ao cargo que hoje estão decidiram permanecer na legenda, como o caso da senadora Soraya Thronicke e do deputado federal Loester Trutis, além do deputado estadual Renan Contar.

Em evento realizado na Câmara Municipal de Campo Grande, apoiadores do novo partido do presidente fizeram uma cerimônia de filiação de assinaturas para a criação da legenda. O deputado federal Luiz Ovando e o estadual Coronel David, além de Rodolfo Nogueira, que em 2018 também contaram com o apoio de Bolsonaro, eram as principais lideranças da nova agremiação.

De acordo com Ovando, sua saída do PSL e da maioria dos seguidores de Bolsonaro se deve a um cerceamento de opinião dentro do partido. “Eu quero estar em um ambiente onde eu me sinta bem, então eu propus sair do PSL porque eu não estava confortável dentro do partido. Eu quero crer que as outras pessoas que saíram também, porque na política nós temos que exercitar política. E você, para fazer alguma coisa, você precisa ser eleito através do voto, através das suas propostas. Então eu estava sendo cerceado dentro do PSL para exercitar politicamente”.

Durante o discurso, o deputado Coronel David mandou um “recado” para aqueles que ele chama de “traidores do presidente”. “Pode-se enganar a alguns o tempo todo e a todos por algum tempo, mas não se pode enganar a todos o tempo todo. A verdade está surgindo e a verdade se chama Aliança pelo Brasil”, disse o parlamentar, parafraseando o ex-presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln.

“Aqui não vai ter traíra. E, além disso, é um partido que realmente vai honrar as premissas defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro, de civismo, de amor à nação, de ter segurança e economia fortes e de prezar pelos valores cristãos”, declarou o deputado sobre o Aliança Pelo Brasil.

A filiação e coleta de assinatura de apoiadores segue ativa pelo site do partido.

 

Fonte: Correio do Estado

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