Como Capital, Campo Grande teve 16 prefeitos metade deles não foi eleita pelo voto, mas nomeação feita pelos governadores do Estado Mato Grosso do Sul foi implantado como Estado em 1979 e Campo Grande, de uma cidade com maior desenvolvimento do sul do Estado de Mato Grosso, se transformou na Capital.
Nessa transição, o prefeito era Marcelo Miranda, eleito pelo voto antes da criação do Estado. Ele nem completou o mandato, porque no fim de junho de 1979, renunciou para assumir o governo em substituição a Harry Amorim Costa, primeiro governador de Mato Grosso do Sul, nomeado e depois demitido pelo presidente Ernesto Geisel.
Só para contextualizar, Harry, mesmo não residindo no Estado, foi nomeado governador por Geisel por causa dos conflitos políticos. Todo mundo queria ser governador e não havia consenso. Diante desse impasse, Geisel pegou o seu conterrâneo do Rio Grande do Sul, engenheiro Harry Amorim, diretor-geral do Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS), para governar o Estado.
Por falta de apoio político, por ser alguém de fora do Estado, para governar Mato Grosso do Sul, Harry sobreviveu apenas seis meses no cargo. Mas acabou ficando por aqui para seguir com a carreira política.
Aí que entra a história dos prefeitos da Capital de Mato Grosso do Sul. Ninguém conseguia permanecer no cargo por muito tempo. Marcelo Miranda deixa a prefeitura para assumir o governo e, a partir da sua saída, os prefeitos das capitais passaram a ser nomeados pelos governadores. Marcelo, que é avô do deputado estadual João Henrique Catan (PL), colocou na prefeitura para substituí-lo, o presidente da Câmara Municipal, Albino Coimbra. Ele era da Arena e depois passou a ser PDS.
Albino foi substituído com a queda do seu padrinho político, Marcelo Miranda. Ele permaneceu 1 ano e 4 meses na prefeitura. Mas o substituto de Albino, vereador Leon Denizart Conte (PDS), presidente da Câmara Municipal, nem sequer conseguiu esquentar direito a cadeira. Ele ficou de 7 a 19 de novembro de 1980. Governou a cidade por apenas 12 dias. Leon tapou um buraco até a nomeação de outro prefeito.
Com a queda de Marcelo Miranda, o então senador Pedro Pedrossian (PDS) foi efetivado no cargo de governador pelo presidente João Baptista Figueiredo. Pedrossian nomeou para a prefeitura um rival político dentro do PDS, o então deputado federal Levy Dias. A ideia de Pedrossian era unir os grupos para a sua base política. Levy ficou 1 ano e 4 meses no cargo depois voltou a romper com Pedrossian. Para não deixar a cidade sem prefeito, o vereador Valdir Pires Cardoso (PDS), presidente da Câmara Municipal, assumiu a administração por pouco mais de um mês.
Depois Pedrossian efetivou no cargo o seu amigo do peito, o engenheiro Heráclito Figueiredo PDS). Ele ficou pouco mais de 10 meses no cargo. Heráclito deixou a prefeitura em 14 de março de 1983, quando Pedrossian transmitiu o cargo de governador para Wilson Barbosa Martins (PMDB), primeiro governador eleito pelo voto direto. Mas os prefeitos ainda eram escolhidos por nomeação do governador.
Wilson enfrentou muita resistência política para nomear o pecuarista Lúdio Coelho (PMDB). O caso que poderia ser resolvido em poucos dias, levou meses. Enquanto isso, a vereadora Nelly Bacha (PMDB), presidente da Câmara Municipal, ficou por mais de 3 meses administrando a cidade. Depois passou o cargo para Lúdio. Ele foi o último prefeito nomeado.
O seu sucessor, o então vereador Juvêncio César da Fonseca (PMDB) foi eleito pelo povo, em 1985 e foi empossado em 1° de janeiro de 1986. Nesse período, Lúdio Coelho rompeu com Wilson e se filiou ao PTB para disputar a prefeitura nas eleições seguintes e foi eleito. Mas quatro depois, Lúdio devolveu o cargo para Juvêncio, que ganhou as eleições.
Aí começou o reinado do PMDB no comando da prefeitura. Foram 20 anos ininterruptos. Depois do Juvêncio, o partido apostou na candidatura do então deputado federal André Puccinelli, nas eleições de 1996, que tinha Fátima do Sul, como principal base política. André entrou na disputa em penúltimo lugar nas pesquisas. Ele estava tecnicamente empatado com Carlos Leite (PV), que era a lanterninha.
O grande favorito era Levy Dias (PFL), depois vinha Nelson Trad (PTB). Só que os favoritos saíram no meio da campanha com o avanço de André e Zeca do PT. No primeiro turno, Zeca ficou na liderança. No segundo turno, André acabou vencendo por apenas 411 votos. Essa campanha deu visibilidade a Zeca, que dois anos depois, surpreendeu com sua eleição para governador, derrubando o favoritismo de Pedro Pedrossian e do Ricardo Bacha (PSDB), que tinha apoio do governador Wilson Barbosa Martins (PMDB).
Nas eleições seguintes, André foi reeleito sem susto, depois fez Nelsinho Trad como sucessor. Nelsinho foi reeleito e, em 2012, Alcides Bernal (PP), derrubou o reinado do PMDB, batendo nas urnas, Edson Giroto, então secretário estadual de Obras do Governo de André Puccinelli. Administração de Bernal foi tumultuada. Ele sofreu impeachment pela Câmara Municipal e assumiu o seu vice, Gilmar Olarte (PP).
Depois de 1 ano e 5 meses, o Tribunal de Justiça arranca Olarte do cargo e devolve para Bernal. O PMDB tinha chance de voltar a comandar a prefeitura com o então deputado estadual Marquinhos Trad. Só que ele acabou trocando o PMDB pelo PSD por não confiar no governador André Puccinelli.
Marquinhos foi eleito, reeleito e renunciou ao cargo em 2022 para concorrer ao governo estadual. Perdeu as eleições e ficou sem a prefeitura. A vice dele, Adriane Lopes (Patriota), foi efetivada no cargo e nas eleições de 2024, já no PP, foi reconduzida ao cargo pelo voto. Foi a primeira mulher da história eleita prefeita da cidade. Uma curiosidade. O PSDB e o PT, mesmo com governador do Estado, não conseguiram eleger prefeito de Campo Grande.
Por Adilson Trindade







