Há memórias que o tempo não apaga; ele apenas as lapida, transformando-as em joias raras. Para quem viveu os anos 80 e 90 na UMADECAMP (União da Mocidade da Assembleia de Deus – Missões), a vida foi intensamente celebrada, cantada e vencida na raça, no amor e na fé.
A trajetória de bênçãos de um garoto do interior desenha perfeitamente o mapa desse avivamento em Mato Grosso do Sul. Tudo começou aos 10 anos, no distrito de Santa Terezinha, em Itaporã. Na Grande Dourados, a igreja se movia entre sítios e chácaras sob a poeira das estradas, ao som da banda do saudoso Elizeu Felix. Pouco depois, em Aquidauana, a base do caráter cristão foi solidamente construída sob os ensinamentos do Pastor Paulo Lucas Sacramento, em uma época marcada pelos solos de guitarra do Matias e pelo talento de um jovenzinho de 12 anos que dominava o trompete usando um terno impecável.
O Sonho de vencer!
Em 1984, a capital virou o destino daquele garoto, movido pelo desejo de estudar e vencer na vida. Como bom cristão, o caminho natural foi a igreja. Ali, os caminhos se cruzaram novamente: aquele “jovenzinho do terno impecável” agora tinha 16 anos e havia se tornado o Líder da UMADECAMP. Esse reencontro mudaria tudo. Ele abriu as portas do Rádio pra mim, me deu oportunidade, nascendo ali uma parceria de obstinados prontos para fazer história.
Aventura e fé no Trem do Pantanal
Fazer eventos nos anos 80 e 90 era um teste de pura garra — sem celular, sem cartão de crédito ou Pix. O maior símbolo dessa audácia foi a lendária viagem para Corumbá a bordo do Trem do Pantanal. Alugamos dois vagões inteiros da classe econômica para levar mais de 180 jovens na divisa com a Bolívia.
O trajeto era um espetáculo à parte: longas horas de viagem preenchidas por violões, palmas e corinhos congregacionais que contagiavam todo o trem. Nas paradas em Aquidauana e Miranda, os jovens desciam correndo para comprar lanches e doces locais. O coração vinha na boca: ao ouvir o terceiro sinal da locomotiva, era preciso correr e pular para dentro do vagão para não ser deixado para trás. Uma adrenalina santa e inesquecível.
Uma Juventude que se multiplicava
A engrenagem não parava. Caravanas inesquecíveis ganharam as rodovias rumo a Nova Andradina, Mundo Novo, Bonito e Coxim — viagens que tinham o tempero especial de ver muitos namoros começarem e concretizar em casamento.
O coro de 550 vozes que toucou o Céu
Se as estradas eram sinônimo de aventura, os congressos na capital eram de um puro impacto espiritual. O ano de 1991 ficou cravado na eternidade com a pregação marcante do Pastor Hidekazu Takayama.
No altar, um grande conjunto de 550 jovens, perfeitamente ensaiados, cantava em uníssono. Quem esteve lá ainda consegue ouvir a harmonia perfeita de três hinos que se tornaram a trilha sonora de uma geração: Além do Rio Azul, Mar da Galileia e Philadélfia. Era a consagração de uma década de avivamento pentecostal puro, focado na Bíblia, na santidade e na evangelização de bairros inteiros.
Mas nenhum marco superou o gigante ano de 1992. Com destino a Dourados, saindo da sede na Rua Brilhante, a UMADECAMP moveu uma frota inacreditável de 8 ônibus e 350 jovens. Uma demonstração de força e união que parou o interior do estado.
Tempos que não voltam mais…
Olhar para trás traz um misto de lágrimas nos olhos e sorriso nos lábios. A UMADECAMP moldou homens e mulheres de valor, uniu famílias e provou que, quando há fé, a escassez financeira vira mero detalhe.
Os tempos mudaram, o velho Trem do Pantanal não existe mais, encerrou sua era e os cabelos brancos chegaram. Mas a certeza que fica no coração é uma só: valeu a pena cada quilômetro, cada oração e cada canção!
“Não quero aqui citar todos os nomes, pois o que passamos foi Magnífico e a lista seria infinita! Mas o nome do meu amigo eu não vou deixar de citar… Gilmar Antunes Olarte, tudo valeu a pena!”
“Os que semeiam com lágrimas colherão com alegria…”
Por Antonio Ueno (Tony)














































