MS chega a 70% de imunizados, mas Campo Grande ainda não

Mateus Bruxel / Agencia RBS

Mato Grosso do Sul ultrapassou a marca de 70% da população geral com o esquema vacinal completo contra a Covid-19, seja com duas doses, seja com dose única. 

Apesar do avanço no Estado, Campo Grande vive um momento de estagnação na vacinação, tanto da primeira dose como da segunda. Há quase dois meses a cidade entrou na casa dos 60% de pessoas imunizadas e ainda não conseguiu evoluir esse porcentual.

ômetro da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), até as 18h desta terça-feira (23), 659.124 haviam tomado a primeira dose em Campo Grande, o que representa 72% da população geral, enquanto 610.534 tomaram a segunda dose, ou única, o que representa 67,3%.

Para se ter uma ideia da lentidão, no dia 17 de julho deste ano a Capital alcançou a marca de 30% da população com as duas doses ou dose única contra a doença. 

Em pouco mais de dois meses, esse porcentual dobrou na cidade, chegando no dia 30 de setembro a 60% de imunizados. Entretanto, em 53 dias, a imunização em Campo Grande cresceu apenas sete pontos porcentuais.

De acordo com a Sesau, levantamento feito no dia 9 de novembro deste ano mostra que cerca de 66 mil pessoas estão com a segunda dose atrasada, ou seja, deveriam ter recebido o imunizante até o fim do mês de outubro, fator que contribui para essa estagnação.  

“São pessoas que tomaram a primeira dose até o fim de julho e não retornaram dentro do período estimado para receber a segunda dose”. 

“Para reduzir esses números, agentes comunitários de saúde da Sesau têm atuado intensificadamente para orientar a população que está com doses em atraso sobre a necessidade de concluir o ciclo vacinal, visto que somente assim estará completamente imune”, diz trecho de nota da pasta.

Ainda conforme a secretaria, no caso de quem ainda não se vacinou, são feitas ligações e encaminhadas mensagens de texto via WhatsApp. 

“A Sesau também tem uma quantidade significativa de locais abertos com doses à disposição, como nesta terça-feira (23), por exemplo, em que havia mais de 40 pontos abertos”, completou a nota.  

Comparativo de dados entre a estimativa populacional de Campo Grande para 2020, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e a quantidade de pessoas vacinadas na Capital mostra que pelo menos 49.135 pessoas não tomaram nenhuma dose contra a Covid-19 na cidade.

Para o médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda, a estagnação de Campo Grande pode colocar em perigo o bom desempenho de Mato Grosso do Sul na campanha de vacinação. 

Segundo ele, se a cidade não conseguir incentivar as pessoas a completarem sua imunização e também a tomarem a primeira dose, o número de casos e de hospitalizações pode subir no Estado, puxado pela Capital.

“Campo Grande tem um índice menor que do Estado, então, excluindo a Capital o Estado está bem próximo dos 80%, eu imagino. A Capital concentra grande parte da população sul-mato-grossense e isso impacta nos indicadores do Estado, é necessário que se tomem medidas para que esse indicador aumente”. 

“A Capital aumentou e muito sua cobertura para a atenção primária, então há mais equipes contratadas e estas podem ser deslocadas para essa busca ativa. Porque se não for caso de falta de acesso, que tem como resolver com essa busca, se for hesitação, a alternativa é instituir o passaporte sanitário”, declara o médico.

O infectologista ainda citou o caso de alguns países europeus onde a vacinação ainda não alcançou 70% de imunizados e que uma nova onda, entre as pessoas que não tomaram a vacina, está causando problemas no sistema de saúde dessas localidades.

“A Alemanha tem 67% de imunizados e está apresentando aumento de hospitalização, isso pode ocorrer aqui também e não tem justificativa para isso. Campo Grande sempre foi responsável por uma parcela importante da população do Estado e, se não avançar, pode penalizar todo o Estado, porque pode voltar a ter aumento”. 

“A gente está vivendo uma liberação das atividades, aumento das aglomerações e, sem alta cobertura vacinal, pode ser perigoso. Campo Grande precisa se esforçar mais, o gestor precisa trabalhar com pesquisa qualitativa para entender o porquê de as pessoas não procurarem os postos de vacinação”, analisa.

O secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, afirmou que também teme que haja um aumento de casos e internações provenientes desses não vacinados.

“Precisamos avançar em Campo Grande, sei do compromisso dos gestores que têm feito encaminhamentos, mas o interior apresenta números maiores. Temos visto uma desmotivação da população em relação à vacinação, o negacionismo tem contribuído para essa baixa procura da primeira dose e até da dose de reforço dos idosos”. 

“Temos tido um componente ideológico importante e espero que não tenhamos implicações no futuro, estamos perto das festas de fim de ano e espero que não tenha nova onda como em países europeus, fruto da contaminação dos não vacinados. Espero que consigamos sensibilizar essas pessoas”, afirmou Resende.

spinner-noticia

SAÍDA

No drive-thru do Albano Franco, a coordenadora administrativa do local, Elaine Cristina Barbosa, informou que nos últimos dias houve até um aumento da procura de pessoas pela primeira dose, por causa da ampliação da faixa etária dos que receberão a terceira dose na Capital. 

O que mostra que a aceleração da aplicação do reforço pode ser uma saída para ajudar a aumentar a taxa de imunizados.

“De sábado para cá, foram umas 800 doses da primeira. Antes de entrar no calendário [a terceira dose], nós fazíamos de 400 a 500 aplicações, mas, desde que baixou para menos de 45 anos, a gente tem feito 1,5 mil doses por dia, então aumentou muito nosso público”. 

“Nós não tínhamos fila, agora temos bastante e está bem agitado, bem movimentado”, afirmou, apesar de confirmar que grande parte vai em busca da terceira dose.

Conforme a enfermeira Fábia da Silva de Abreu Santos, até os “sommeliers de vacina” não têm mais comparecido com tanta frequência. 

“Com a diminuição da idade, as pessoas estão procurando mais para tomar a primeira dose e, consequentemente, tomar a segunda e a terceira dose. Eles não estão nem escolhendo, em alguns casos, querem porque vão viajar, mas em outros tomam e não questionam”.

Enquanto a reportagem esteve no local de vacinação, só encontrou pessoas que foram buscar a dose de reforço.

A acadêmica de Psicologia Marcela Santos destacou a importância da aplicação de uma terceira dose e disse estar muito feliz com a oportunidade.

“Eu penso que é muito importante a gente estar sempre atento com as informações que são divulgadas nas mídias. Estou muito feliz de tomar a terceira dose, se tiver a quarta ou a quinta, estamos aí”. 

“As pessoas que ainda não tomaram, por favor, vamos nos conscientizar e tomar, porque é sério, a ciência está aí para confirmar”, afirmou a estudante, que havia se imunizando com duas doses de AstraZeneca e nesta terça-feira tomou a terceira com o imunizante da farmacêutica Pfizer.

Pensamento que foi compartilhado pela auxiliar administrativo Janete Lopes de Oliveira. “É muito importante, a ciência está aí, como minha colega disse, os casos diminuíram bastante e estou muito feliz em receber essa dose, e se tiver outras eu vou tomar”.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp

Leia Também