Barco com 20 pessoas fica encalhado em rio no Pantanal

08.02.2019

Morador da região do rio Taquari, no Pantanal de MS, Márcio Roberto Avellar conta que um fenômeno comum na região nos períodos de seca surpreendeu a tripulação de uma embarcação nesta quarta-feira (6): "O acúmulo de vegetação ali é natural mas não nessa época. O rio Taquari, que tem sua nascente na região norte, está assoreado em vários pontos e quando chega aqui, a água é tão pouca e tão cheia de vegetação que não tem como navegar", explica.

Um barco com 20 pessoas, entre elas 5 crianças, ficou preso em uma área de navegação difícil no rio Negrinho, que é o principal acesso para o rio Taquari por 72 horas. Márcio, que foi chamado para socorrer a tripulação do barco que transportava uma balsa com 70 cabeças de gado, gravou um vídeo mostrando a situação do barco. As imagens foram captadas na tarde de quarta (6) e o barco foi retirado nesta quinta (7), pela manhã.

"O gado já está sentindo sede, a embarcação fica numa situação que não passa, tem que fazer uma limpeza urgente aqui".

Marcio menciona que "autoridades deveriam tomar providências". Ele explica que a entidade responsável pela manutenção do rio na região é a Administração Hidroviária do Paraguai (Ahipar), cuja sede fica em Corumbá (MS). Em contato com a Ahipar, as ligações não foram atendidas.

Márcio explica que a grande quantidade de vegetação no rio é algo que os pantaneiros estão acostumados, mas é preciso que haja uma limpeza, para garantir a navegabilidade: "O pessoal desse barco por exemplo, me pediu ajuda porque a travessia foi tão difícil, que eles gastaram todo o combustível da viagem só para tentar sair dali", relata.

De barco grande, a travessia do ponto em que estava a embarcação até Corumbá é de 80km, e leva cerca de 18 horas. De barco pequeno, ela é feita em 3 horas. Com o tempo encalhado, o barco levou 72 horas para fazer o trajeto.

Márcio aponta que o problema do assoreamento no rio Taquari reflete diretamente no Pantanal, que mesmo em período de cheia, em algumas regiões tem pouca água e não é possível navegar: "Em alguns lugares está sem fluxo de água mesmo, o rio já nem desde mais para o Paiaguás e para Nhecolândia", explica. Os dois locais citados por Márcio concentram um grande número de fazendas de gado, que precisam atravessar o rio, alguns de barco, como o que encalhou.

O barco foi retirado da vegetação e seguiu viagem até Corumbá, onde chegou no fim da manhã desta quinta (7).

Fonte: G1/MS

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