Marquinhos Trad: renunciar ou amarelar?

Para ser candidato em 2022, só se renunciar ao cargo de prefeito da Capital.
Reprodução

Ao discursar neste sábado no encontro do PSD do Rio de Janeiro em que anunciou que o recém-filiado presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), para disputar a Presidência da República, o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, também confirmou que o prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, vai disputar o Governo de Mato Grosso do Sul pela sigla nas eleições do ano que vem.

Kassab saudou a delegação de MS presente ao evento e, dirigindo-se ao senador Nelsinho Nelsinho Trad, presidente do PSD de MS, afirmou: “aonde teremos a candidatura, do seu irmão, que assim como você que foi um extraordinário prefeito, reeleito, oito anos prefeito, tá sendo hoje o Marquinhos Trad um dos prefeitos mais bem avaliados do país e será nosso candidato a governador no Mato Grosso do Sul”.

Por telefone, Nelsinho reforçou ao Blog do Marco Eusébio. “Reitero o que sempre falei. PSD terá candidato a governador e Marquinhos Trad será o nosso candidato”.

Enquanto isso, vários nomes da política estadual estão em plena pré-campanha, ainda que de maneira enviesada, embora assumindo claramente a possibilidade de candidatura no próximo ano. É o caso de André Puccinelli (MDB), Zeca do PT (PT) e Eduardo Riedel (PSDB).

Com a mesma intenção, segue trabalhando com jeitão de pré-campanha, com certa discrição, principalmente no interior do Estado, Rose Modesto (ainda no PSDB). Coronel David, Capitão Contar e Soraya Thronicke, já se manifestaram em concorrer ao pleito de 2022 (todos bolsonaristas).

De acordo com políticos próximos do prefeito da Capital há uma questão de bastidor que tem consumido suas noites de sono; para ser candidato, ele terá que renunciar ao cargo de prefeito (no máximo em abril de 2022), deixando a administração para sua Vice, Adriane Lopes, que cuidaria de uma máquina que terá um orçamento de mais ou menos R$ 13 bilhões nos últimos dois anos e oito meses do mandato, que se encerará em 2024. Outra questão: o eleitor entenderia essa renúncia?

Além disso, Marquinhos Trad não contava com a entrada vigorosa no cenário do ex-governador Puccinelli que, mesmo tendo enfrentado graves problemas judiciais, ainda conta um eleitorado expressivo tanto na Capital (reduto do prefeito) como no interior (onde Marquinhos Trad tem potencial de voto muito baixo).

Para o cientista político Antonio Ueno, Marquinhos Trad teria que articular um grupo de apoio ou se aliar ao PSDB para ganhar densidade eleitoral, mas como o tucano Eduardo Riedel vem crescendo nas pesquisas e criando musculatura, essa possibilidade está cada vez mais remota. “É importante frisar que o PSDB já declarou que não existe “Plano B”, ou seja: se Marquinhos deixar a prefeitura e tentar um vôo solo correrá o risco de derrota, o que deixará em aberto um espaço temporal em que ficará fora do poder, o que o levará forçadamente rever seu projeto político”, pontuou Ueno.

Sobre administração das Capitais, Campo Grande está entre as piores cidades do Brasil em Gestão Fiscal, ocupando o 20º lugar, segundo o Jornal Valor Econômico (A bíblia dos economistas) publicado nesta sexta-feira (22/10/21). Marquinhos Trad é comprovado em números que é um prefeito que não cuida bem das finanças do município.

Se a candidatura de Marquinhos Trad não ganhar corpo ainda este ano ele viverá um terrível dilema: “renunciar à prefeitura ou amarelar da candidatura”.

Como dizia Barão de Itararé: “Tudo seria mais fácil se não fosse as dificuldades…”

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