Com nova metodologia, número de casos de coronavírus na China vai a 59,8 mil; mortes somam 1,3 mil

13.02.2020

O número de casos confirmados de Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, subiu na China para 59,8 mil, de acordo com o balanço divulgado nesta quinta-feira (13). No levantamento anterior, de quarta-feira, eram 44,7 mil – aumento de 33,87%.

O crescimento no número de registros está ligado à mudança na metodologia: os relatos apontam que na nova metodologia a análise dos médicos em consultório está contando com apoio de exames de imagem (como radiografia e tomografia), cujos resultados ficam prontos mais rapidamente. Antes, era necessário esperar o resultado de um exame de RNA (ácido ribonucleico) para comprovar a infecção por Covid-19.

 Com a alteração, Hubei, província epicentro do surto, registrou 242 novas mortes somente na quarta-feira (12). A região registrou 14.840 casos no último dia, sendo que 13.332 foram diagnosticados de forma clínica.

A mudança ocorre em meio à decisão do governo chinês de trocar autoridades devido a falhas na resposta ao surto e também em meio à falta de kits de detecção do Covid-19.

Ao todo, 1.368 pessoas morreram por Covid-19, incluindo um caso no território semiautônomo de Hong Kong. Duas mortes foram registradas fora do país: nas Filipinas, em 2 de fevereiro; e no Japão, nesta quinta.

O que mudou na metodologia
A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse ao G1 que está acompanhando as atualizações recentes da China sobre os protocolos de definição e contagem de casos de Covid-19 e que esperam respostas do país asiático.

"Nós percebemos que a nova definição dos casos amplia a rede", disse a agência da ONU em um comunicado. "Ela inclui não só os casos confirmados em laboratório, mas também os avaliados clinicamente a partir de sintomas e exposição." (leia a resposta completa da OMS ao fim do texto).

De acordo com a agência Reuters, anteriormente Hubei havia permitido que as infecções fossem confirmadas somente por exames de RNA, que podem levar dias para serem processados. O RNA, ou ácido ribonucléico, carrega informações genéticas que permitem a identificação de vírus.

O jornal Le Monde afirma que não há testes de ácido ribonucleico em quantidade suficiente em Hubei, província epicentro do surto. A publicação também cita que médicos chineses estavam colocando em dúvida os resultados.

Neil Ferguson, professor de epidemiologia no Imperial College London, estima ao Le Monde que apenas 10% dos casos são detectados. Para que um teste dessa natureza seja válido, um endoscópio deve ser inserido nos pulmões.

Neste cenário, Hubei começou a usar tomografia computadorizada, que é mais rápida e revela infecções pulmonares, para confirmar e isolar os casos mais rapidamente, segundo a comissão de saúde da região.

O novo procedimento de diagnóstico pode explicar o salto no número de mortes, disse Raina McIntyre, chefe de pesquisa em biosegurança do Kirby Institute na Universidade de Nova Gales do Sul.

"Presumivelmente, há mortes que aconteceram com pessoas que não tiveram um diagnóstico de laboratório, mas tiveram uma tomografia computadorizada", disse ela à Reuters. "É importante que isso também seja contabilizado."

O novo exame por tomografia está sendo usado apenas em Hubei, disseram as autoridades.

Troca de autoridades em meio ao surto
A mudança na metodologia de casos suspeitos de Covid-19 na China foi anunciada na noite de quarta-feira (12) – horário de Brasília. Ela ocorre um dia após o governo chinês anunciar a troca de autoridades devido a falhas no combate ao avanço do surto .

Segundo a mídia estatal chinesa, houve centenas de demissões, investigações e advertências em Hubei e outras províncias, informou a BBC.

Foi tirado do cargo, por exemplo, o secretário do Partido Comunista Chinês para a Comissão de Saúde de Hubei, província cuja capital, Wuhan, é o epicentro da nova doença.

O vice-chefe da Cruz Vermelha local, Zhang Qin, perdeu o cargo por "abandono do dever" na gestão das doações feitas a Hubei. Ele foi advertido dentro do partido e sofreu uma punição administrativa.

No início de fevereiro, o vice-chefe do departamento de estatísticas de Wuhan também foi retirado do posto, após ser acusado de "violar regras importantes na distribuição de máscaras".
 

Fonte: G1

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