Será que os índios isolados querem continuar assim? Nomeação na Funai reacende a polêmica

10.02.2020

"Desde o fim do regime militar, a Fundação Nacional do Índio (Funai) segue uma tradição, a de evitar nomeações de funcionários com histórico missionário. Também adota o hábito de evitar o contato com populações indígenas isoladas – o órgão considera que essa falta de interação é voluntária e representa uma decisão que deve ser respeitada.

O primeiro costume foi rompido na última quarta-feira, com a nomeação do ex-missionário evangélico Ricardo Lopes Dias para a coordenação da área de indígenas isolados. Os críticos da decisão enxergam nela o risco de que o segundo hábito seja rompido, e Lopes Dias dê início a uma nova era, de intervenção do Estado junto a povos que não têm contato com a civilização de influência europeia.

Lopes Dias já foi missionário, de fato. Como membro da organização Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB), entre 1997 e 2007 trabalhou na evangelização de tribos indígenas no Vale do Javari, no Amazonas – uma área de mais de 85 mil quilômetros quadrados, maior do que a Áustria, que abriga a maior parte das comunidades isoladas do país.


Mas ele é também antropólogo. Formado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), tem mestrado em antropologia pela e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e doutorado em ciências humanas e sociais pela Universidade Federal do ABC (UFABC). Cursou também pós-graduação em antropologia intercultural pela UniEvangélica, de Anápolis (GO).

A nomeação do arqueólogo só foi possível porque, no último dia 30 de janeiro, o presidente da Funai, Marcelo Xavier da Silva, alterou o regimento interno do órgão, que antes determinava que apenas servidores de carreira poderiam assumir cargos de chefia. Funcionários do órgão divulgaram uma carta aberta em que protestam contra a decisão. “As conquistas consolidadas por décadas na proteção aos índios isolados passam a estar ameaçadas, já que, na prática, quem vai executá-las são àqueles que já promoveram desgraças à vida e a sociedade de inúmeros povos indígenas na Amazônia”, diz o texto."

Fonte: Gazeta do Povo

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