Conheça a compra solidária de ovos de chocolate

Autor: PAULA MACIULEVICIUS BRASIL

23.03.2019

A ideia é até movimento do serviço de apoio à micro e pequenas empresas, mas, entre amigos e nas redes sociais, o lema segue forte para que nesta Páscoa você compre um ovo do seu vizinho, amigo ou aquele conhecido que está vendendo pela internet. E não é nem pelo preço estar nas alturas: pasmem, tem ovo custando mais de R$ 90,00 nos mercados da Capital, enquanto dos “pequenos”, o artigo de Páscoa sai a partir de R$ 25,00. Além de economizar e ter um produto personalizado, quem compra do conhecido compartilha histórias. Gente que com esse dinheiro vai comprar uma máquina de lavar para a casa, ajudar na cirurgia do filho, ou equilibrar as contas desde que um problema de saúde surgiu.

CIRURGIA

O bebê que aparece com o ovo de Páscoa na foto acima é Miguel nesta mesma época, mas em 2018. Hoje, prestes a fazer 3 anos, ele já se prepara para novas entregas. Com uma doença considerada rara não pela baixa incidência, mas pela falta de conhecimento das pessoas, o menino tem deficiência ocorrida de uma malformação chamada espinha bífida. Miguel operou ainda dentro da barriga da mãe antes de nascer e agora precisa fazer uma nova cirurgia, com um dos seus 11 médicos especialistas. A mãe dele, Lilidaiane Ricaldi, 37 anos, já era do ramo de doces finos antes mesmo da gravidez, mas precisou fazer uma pausa na produção para dar todo o cuidado que Miguel necessita. “Hoje por conta da rotina, eu não posso fazer compromisso, então preferi parar”, explica.

De dois anos para cá, ela retomou a produção de ovos de Páscoa, mas com encomendas de clientes que conhecem bem a saga da família. “Eles sabem que, se o Miguel for internado, não é culpa minha se eu não conseguir honrar o compromisso, como já aconteceu”, conta. Os consumidores que ela atende são pessoas que os procuram justamente para ajudá-los, especialmente agora que o menino precisa retirar  parte do intestino para aumentar a bexiga e assim evitar que se torne crônico renal. “Quem está comprando de mim está comprando um carinho individual, está escolhendo o recheio, a embalagem”, descreve. 

MÁQUINA DE LAVAR

Professora, Aline Nogueira, 32 anos, conseguiu trocar a geladeira na Páscoa passada, graças à venda dos ovos. Para este ano, a meta é comprar a primeira máquina de lavar em casa. “Eu coloquei como foco, no ano anterior, a geladeira. Então vendi a antiga e com o dinheiro consegui uma maior, porque houve crescente demanda. Para este ano, é a máquina”, afirma quem já cansou de lavar roupa na mão. 
“Eu tinha pensando em um tanquinho, mas, olhando bem o preço, vale um pouquinho mais de esforço para uma máquina mesmo que vai atender as minhas necessidades”, completa. 

Entre os clientes, o que ela percebe é que a procura por ovos caseiros não está tanto assim na sua história ou metas e, sim, na economia. “Um de 250 g no mercado está, pelo menos, R$ 40,00. O meu é R$ 25,00. Eu vejo que o pessoal está prezando pela economia e, como já conhecem meus doces, sabem que o ovo vai seguir a mesma linha”, descreve. 

RECOMEÇO

Depois de um acidente que trouxe queimaduras de segundo e terceiro grau, Mirian viu no trabalho com confeitaria um doce caminho para recomeçar. Todos os anos, ela faz ovos de Páscoa e vende pela internet mesmo, anunciando em grupos públicos as opções que estão disponíveis. A fala dela começa na defesa pela qualidade do chocolate caseiro que é tão boa quanto os de marca que estão nos supermercados. “Comprar direto das pessoas que fazem acaba fortalecendo, ajudando alguém que precisa”, diz Mirian Priscila dos Santos, 25 anos. 

Mãe de uma menininha de pouco mais de 1 ano, ela usa o dinheiro para complementar a renda, especialmente depois das sequelas da queimadura. Mirian tem uma retração muito forte entre o queixo e o colo e cicatrizes que ficaram mesmo após procedimentos reparadores. 

“Eu tive um acidente, então tem todo este estigma com as pessoas que têm uma cicatriz muito aparente”, desabafa.  “Encontrei nos doces uma forma de ter renda, porque as pessoas olham muito para a aparência”, completa.

O que mais sai da cozinha dela é o ovo de colher, predominantemente carro-chefe de todo mundo que faz ovos caseiros, recheado de pudim ou Óreo. 

ONG

E é para ajudar nos gastos com resgate e saúde dos animais de rua que Kelly Macedo, presidente da ONG Cão Feliz, faz e vende ovos de Páscoa todos os anos. 

Já são quase seis anos de atividade da organização que conta com auxílio de voluntários para o trabalho. “O dinheiro ajuda na compra de medicamentos e no deficit muito grande que nós temos, que são as contas das clínicas veterinárias”, explica o vice-presidente da ONG, Ronei Barbosa. O que mais acontece nestes casos é que o responsável pelo animal, quando localizado pela ONG, se recusa a pagar pelo tratamento e cabe aos voluntários a adoção do bichinho e também arcar com as despesas.

Fonte: Correio do Estado

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