Entrevista com o empresário musical Ninho, na Rede Top FM

Rede Top FM

A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou, nesta quarta-feira (10), o empresário musical Junior Teixeira Silva, mais conhecido como “Ninho”, que tratou sobre a sua inspiradora trajetória profissional no setor de eventos e música em Mato Grosso do Sul, abordando a história do cenário musical do Estado, os desafios enfrentados pela indústria (especialmente durante a pandemia) e conselhos para novos artistas.

“Meu pai começou no rádio lá atrás também, na AM, na banda de AM, lá na Avenida Calógeras, então, eu ia todo domingo de manhã de madrugadinha lá com ele e já fazia a programação, que na época era o LP ainda e as aquelas fitas. Aquilo me respirava a gostara de música e o meu pai também fazia composições. Assim, eu fui aprendendo a ver aquele mundo e que tinha um espaço muito bacana para ganhar a vida”, recordou.

Ainda durante a entrevista, ele falou do cenário musical de Mato Grosso do Sul. “O Estado tem uma forte cultura sertaneja, mas com espaço para outros gêneros. Entre 2000 e 2015, Mato Grosso do Sul foi uma referência musical sertaneja no Brasil, chegando a superar Goiás. Entre os grandes artistas que emergiram daqui podemos incluir Jads & Jadson, Munhoz & Mariano, Michel Teló, Luan Santana, Henrique & Diego, Atitude 67, João Bosco & Vinícius, Maiara & Maraisa e Rodolffo”, enumerou.

Ninho também fez questão de deixar alguns conselhos para os novos artistas. “Os barzinhos, as festas de aniversários e os pequenos eventos são a faculdade do músico e, por isso, eles têm de encará-las como essenciais para ganhar experiência e visibilidade. O músico tem de aproveitar as oportunidades, como aberturas de shows maiores e festivais locais. Também precisa usar as ferramentas digitais, como as redes sociais (Instagram, YouTube e Twitter), para produzir e divulgar conteúdo, alcançando um público global. É fundamental acreditar no próprio talento e estar preparado para as oportunidades”, sugeriu.

Na avaliação do empresário, há uma carência de espaços e oportunidades para artistas locais em Campo Grande. “Nos últimos 15 anos, Campo Grande tem vivenciado uma decadência na oferta de oportunidades e locais para artistas locais se apresentarem. Antigos espaços que serviam como ‘escola’ e ‘vitrine’ para novos talentos, como a Expogrande, a Barraca da Veterinária, o Rancho do Barba, Choperia do Rádio e Missa Bar, não existem mais. Isso resulta no esquecimento de muitos talentos, que acabam desanimando e saindo do mercado. O problema afeta diversos gêneros, não apenas o sertanejo, mas também pop, rock e pagode”, alertou.

Ele defende que Campo Grande tenha uma arena de entretenimento dedicada a sediar feiras, shows e peças teatrais, oferecendo visibilidade e oportunidades para todos os artistas. “Tive conversas com o governador Eduardo Riedel e com a prefeita Adriane Lopes, sendo que ambos se mostraram empenhados em entregar um espaço adequado para a Capital”, revelou, informando que duplas como Jads & Jadson e Munhoz & Mariano tiveram de buscar outros estados devido à falta de locais apropriados em Campo Grande.

Ninho ainda destacou que vê a entrada na política como uma consequência e não como objetivo principal da sua vida, que continua sendo a música e o entretenimento. “Eu coloco o meu nome à disposição para defender o setor cultural, que considero sofrido, esquecido e abandonado na política em comparação com outros, como o agronegócio, a religião, o direito e a medicina, que têm grande representação nas assembleias legislativas e no Congresso Nacional”, lembrou.

Assista a entrevista completa pelo link:

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