Após a divulgação de que o Hospital de Câncer Alfredo Abrão estava há 20 dias com os salários atrasados, com atendimentos prejudicados por falta de medicamentos e insumos em razão da retenção de dinheiro de emendas parlamentares pela Prefeitura de Campo Grande, o deputado federal Luiz Ovando (PSL) e a senadora Soraya Thronicke (PSL) cobraram o repasse dos R$ 790 mil já pagos aos cofres do Executivo.
Ontem (11), por pouco os médicos não deflagaram greve na unidade e a falta de repasse das emendas pela administração do prefeito Marquinhos Trad (PSD) foi confirmada pelo diretor-presidente, Amilcar Silva Júnior, ao jornal O Estado. Segundo ele, os R$ 400 mil encaminhados pela senadora Soraya Thronicke e os R$ 390 mil do deputado Ovando não foram repassados, por erros da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde).
Existe um plano de gastos para uso das emendas, e o diretor-presidente afirma que os documentos do Hospital de Câncer foram encaminhados de forma correta, mas que houve confusão da pasta em liberar a verba. “Os nossos projetos foram encaminhados de maneira correta à Sesau que cometeu [esses erros]. Nós pedimos via emenda da senadora Soraya para adquirir uma quantidade de próteses mamárias para fazermos as cirurgias de 65 mulheres que estão na fila. Aí eles [da Sesau] colocaram [no plano] que o dinheiro era para fazer as cirurgias e que não era para comprar as próteses. Mas nós já fazemos essas cirurgias aqui, e como iríamos fazer se não temos as próteses? Então, não foi erro nosso e nós fizemos tudo certo. Nós precisamos das próteses para fazer essas cirurgias e suprir essa demanda.”
O diretor-presidente também afirmou que houve falha da prefeitura em relação à emenda do deputado Ovando, pois nela constava que o valor integral era de custeio do hospital, mas, quando o recurso chegou ao Executivo, foi exigido que o hospital desse uma contrapartida para receber o valor. “Essa do custeio é para ser gasta em qualquer coisa hospitalar que necessitar, seja remédios, salários, pagamentos, tudo. Mas daí a prefeitura estava exigindo a contrapartida que é: ‘só iríamos receber esse dinheiro’, se fizéssemos X exames, X consultas, etc. Então, no fim a gente estava recebendo a emenda e parecia que não era para ajudar o Hospital de Câncer, era para exigir coisas que a gente já faz. E por isso ficou difícil de receber porque esses serviços a gente já fazem normalmente.”
Cobraram repasses
A senadora Soraya Thronicke questionou o Executivo e cobrou que o recurso seja repassado o mais rápido possível. Segundo ela, a Sesau informou que houve “problema no plano de trabalho” e prometeu liberação nos próximos dias. “Tomei conhecimento do problema relacionado ao recurso de R$ 400 mil que destinei ao Hospital de Câncer Alfredo Abrão. Imediatamente procurei a Prefeitura de Campo Grande e o hospital. Me informaram que o problema ocorreu por detalhes do plano de trabalho. Mas conseguimos entrar em um acordo e a emenda que enviei será liberada nos próximos dias para o Hospital de Câncer, para custeio de 100 cirurgias de reconstrução de mamas para mulheres vítimas de câncer.”
O médico e deputado Luiz Ovando diz que as emendas destinadas ao setor da saúde passam obrigatoriamente pela Sesau, por meio do Fundo Municipal de Saúde, e que o valor de R$ 390 mil ao Hospital de Câncer foi pago em outubro de 2021. “Entrei em contato com a Sesau, eles disseram que há uma formalidade, um cumprimento de exigências de metas por parte das instituições. E que é necessário apresentar um plano operacional para que os recursos possam ser pagos.” O deputado afirmou que entrará em contato diretamente com o prefeito Marquinhos Trad para cobrar celeridade nos pagamentos de suas emendas, sem passar por cima do trâmite legal da prefeitura. “Esperamos que os valores repassados para a prefeitura por meio de nossas emendas individuais sejam usados de forma célere a fim de atender a população que precisa de pronta assistência principalmente diante do momento de pandemia que temos vivenciado.”
Previsão de pagamentos O diretor-presidente do Hospital de Câncer, Amilcar Silva Júnior, informou ainda que ontem mesmo fez contato com a prefeitura, onde lhe informaram que haveria os repasses das emendas. Segundo ele, os salários atrasados seriam depositados. “Estamos solucionando essas questões e a prefeitura ficou de fazer esses repasses.
Conversamos com eles, e disseram que vão liberar parte dessas emendas. E em relação aos salários temos a expectativas de colocar em dia. Acho que vem quase todo o valor das emendas no decorrer da semana.” O diretor-presidente do hospital informou ainda que, com exames, consultas e procedimentos de média complexidade, a unidade recebe da prefeitura o valor de R$ 280 mil mensais, mas todos os meses o saldo ultrapassa R$ 500 mil.
Por isso a direção busca outros meios de adquirir recursos, e as emendas são solicitadas aos parlamentares para cobrir essas despesas. “Atendemos muita gente, e quando não estamos conseguindo é porque tem algo muito sério mesmo.” Amílcar confirmou que os atendimentos ficaram muito prejudicados nesta semana pela falta de medicamentos e insumos. Os pacientes foram remarcados, e quando há previsão de chegada dos produtos, os pacientes são avisados com 24h de antecedência para se prepararem.





