Saiba o que é a síndrome FOPO, medo da opinião de outras pessoas

Comportamento voltou à tona após o início da pandemia de coronavírus e do boom da cultura do cancelamento

04.10.2020

Quantas vezes, desde o início da pandemia de coronavírus, você se perguntou duas vezes se um conteúdo, uma foto e até um meme deveriam ser postados em suas redes sociais? Essa ponderação, aparentemente ingênua, pode esconder sintomas de uma síndrome pouco conhecida, mas que voltou a ser debatida: o medo da opinião de outras pessoas (FOPO, da sigla em inglês).

A combinação da grave crise de saúde pública com o boom da cultura do cancelamento – quando alguém é “excluído” do debate por alguma gafe ou erro – trouxe a FOPO de volta aos holofotes. Recente e com poucos artigos científicos a respeito, ela pode ter diversas intensidades. Por isso, deve ser levada a sério, assim como outras síndromes que surgiram recentemente, como a da cabana e a FOGO, o medo de sair de casa.

Ao mesmo tempo em que pode ter um lado positivo, uma vez que convida à ponderação, esse temor em expressar opiniões é capaz de gerar ansiedade e estresse, uma vez que não se limita ao ambiente on-line. Recentemente, o escritor e diretor criativo André Carvalhal compartilhou, no Instagram, uma postagem que levantou o debate sobre a temática:

“Seus efeitos negativos vão muito além do desempenho. Se você começar a prestar menos atenção ao que você faz – seus talentos, crenças e valores – e começar a agir em conformidade com o que os outros podem ou não dizer, você vai prejudicar o seu potencial”, defendeu Michael Gervais, psicólogo e cofundador de curso de treinamento de mentalidade de alto desempenho, em um ensaio publicado na Harvard Business Review.

Os humanos são uma espécie social. Até 80% dos processos que ocorrem no fundo do nosso cérebro são sobre relacionamentos com outras pessoas. Estamos focados nos outros porque nossa felicidade pessoal e nossa aceitação dependem da qualidade de nossos relacionamentos. Portanto, há uma boa razão para nos importarmos com o que os outros pensam de nós.

MICHAEL GERVAIS
Ao cunhar o termo FOPO, em 2019, o especialista avaliou que ela tem ligação com a maneira como nosso cérebro trabalha desde os tempos mais remotos. Quando os humanos ainda viviam em tribos, por exemplo, quem voltasse da caçada do dia sem nada nas mãos seria julgado. Desde então, a aprovação alheia ganhou uma dimensão para além do considerado normal.

Veja alguns sinais apontados por ele:

Você tem medo de falar abertamente (no trabalho ou em seus relacionamentos);
Você vive pedindo desculpas;
Você diz sim, mesmo quando quer dizer não;
Você imagina que as pessoas estão chateadas o tempo todo; 
Você não posta algo no Instagram porque tem medo de não receber curtidas ou de ser criticado por alguém. 
Medo de ser cancelado
O “tribunal da internet” pode agravar o quadro. Em entrevista ao Metrópoles, o psicólogo Lucas Liedker chamou atenção para aspectos que devem ser observados quando a cultura do cancelamento entra em cena. “O cancelamento enquanto fenômeno está alinhado ao pensamento neoliberal em que vivemos, onde pautamos as nossas escolhas pela mentalidade de consumo e da substituição. Podemos deixar de comprar produtos de uma empresa envolvida em um escândalo ambiental, assim como cortamos os vínculos com um familiar em função de seu posicionamento político”, pontuou.

É como se, no século 21, as pessoas tomassem a mesma dimensão de objetos e, como tal, pudessem ser facilmente descartadas e substituídas caso “pisem na bola”. Com receio, o outro lado acaba se calando para evitar boicotes e linchamentos. “E aí entram questões de saúde mental, depressão e isolamento”, emendou Liedker.

Para o pensador Michael Gervais, essa nova realidade, seja no ambiente digital, seja no cotidiano, “ressalta por que precisamos treinar e condicionar nossa mente”, salientou. Para ele, um passo importante é reconhecer que “pessoas feridas machucam pessoas” e que, mesmo que você esteja correto, existe uma chance de ser criticado, independentemente do tema em questão. Às vezes, a resposta pode ser simples: você é humano e apenas cometeu um erro. “Embora você tenha que ‘consertar’ o que errou, não precisa se afundar em constrangimento e vergonha para sempre”, ponderou. Em todo caso, o acompanhamento com um psicólogo ou psiquiatra é de fundamental importância.

Veja algumas dicas para aumentar a autoconfiança se a FOPO o atingir:

Fique atento às próprias emoções e respire;
Peça feedbacks de pessoas da sua confiança;
Aceite que, apesar de seus esforços, ainda assim haverá gente disposta a criticá-lo;
Adote uma filosofia pessoal ou um mantra que aumentem sua autoestima, como uma frase de empoderamento.

Fonte: Metrópoles

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