Ler é Viver mergulha no universo literário infantil de Monteiro Lobato

TV-ALEMS

O programa Ler é Viver deste mês de abril celebra o mérito literário de Monteiro Lobato, já que em 18 de abril, data do nascimento do escritor paulista, é comemorado o Dia Nacional da Literatura Infantil. A atração conta com participações da escritora e jornalista Marcia Camargos, biógrafa do criador do ‘Sítio do Picapau Amarelo’, da jornalista Flávia Leigrumber, que fala sobre a representatividade da literatura lobatiana em sua vida, e da escritora sul-mato-grossense Sandra Andrade, cujas obras possuem inspiração do autor. 

José Bento Renato Monteiro Lobato nasceu em 18 de abril de 1882 em Taubaté e morreu em 4 de julho de 1948 em São Paulo. Escritor, ativista, diretor e produtor brasileiro, Lobato é considerado o criador da literatura infanto-juvenil, embora tenha escrito diversos contos e apenas um romance, “O Presidente Negro”. Sua carreira é emblemática na seara literária e cercada de polêmicas, como o entendimento de alguns escritores que consideram racista a literatura lobatiana. 

Desde o lançamento da biografia de Lobato escrita por Edgard Cavalheiro em 1995, nada mais havia sido feito. Foi então que Marcia Camargos, junto com Vladimir Sacchetta e Carmem Azevedo, escreveram o livro ‘Monteiro Lobato: furacão na Botocúndia, lançado pela Editora Senac, que venceu o Prêmio Jabuti de Literatura na categoria ‘Livro do ano não ficção’ e conquistou o primeiro lugar na categoria ‘Ensaios e biografias’ da mesma premiação. 

Marcia vive em Paris desde 2016, onde escreve livros, colabora com artigos para revistas e jornais brasileiros, faz conferências em instituições francesas e realiza um segundo pós-doutorado na Universidade Sorbonne, sobre os modernistas brasileiros nos anos 1920. Seu mergulho ao universo lobatiano rendeu ainda as publicações ‘Juca & Joyce – Memórias da neta de Monteiro Lobato’ e ‘À mesa com Lobato’, que resgata o caderno de receitas de dona Purezinha, mulher do escritor, e que por vezes Marcia brinca que “é de comer com os olhos”. 

A vida e obra de Monteiro Lobato servem de inspiração e exemplo para milhares de crianças, jovens e adultos do Brasil. Foi assim com a jornalista Flávia Leimgruber, que aos nove anos de idade ganhou do avô a coleção completa do escritor, e que no programa relembra esse momento marcante, além de falar sobre a representatividade da literatura do escritor paulista em sua vida. 

Bica d’água

Assim como Monteiro Lobato, a escritora sul-mato-grossense Sandra Andrade foi alfabetizada muito cedo, tendo começado a ler aos seis anos, sendo que sua mãe Meyre era professora e tinha baú repleto de livros, revistas de época com novelas escritas e toda a coleção do criador do ‘Sítio do Picapau Amarelo’. O livro ‘Reino das águas claras’, em que o leitor, na companhia de Narizinho e Emília, conhece o príncipe desse lugar mágico, foi o primeiro da coleção a ser lido pela escritora. 

Nascida em Jaraguari velho, Sandra teve uma infância telúrica, inclusive com uma bica d’água no quintal, que era seu reino particular das águas claras. Depois que conheceu a história do Saci Pererê, vivia balançando os bambus do quintal de casa à espera do menino de uma perna só. 

Autora de 16 livros infantis e quatro de poemas, Sandra, que além de escritora e filósofa, é professora, diz no programa que a influência de Monteiro Lobato em sua obra é bastante vigente. Por meio de livros, como ‘Dilim, o peixe que desmaiava’, ‘Tatá Manduá e seu filhote e que vida boa!’, ‘A joaninha Joanita e o boi de Humberto’ e ‘Onde há fumaça há fogo’, a escritora mescla poesia e prosa numa linguagem que tem conquistado fãs de todo o Estado. 

Seus dois livros mais importantes são ‘Campo Grande, Cidade Morena’, lançado pela Editora Cortez, e ‘Mato Grosso do Sul, em frente e verso, em prosa e poesia’, que foram adotados por oito anos em diversas escolas da capital. O momento mais marcante de sua carreira, conforme depoimento ao Ler é Viver, se deu quando o livro ‘O sono entristecido da lua pantaneira’ foi adaptado para uma peça de teatro idealizada pelo Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos Florivaldo Vargas (Ismac) e estrelada por 70 pessoas, sendo a maioria cega. “Foi uma catarse”, define Sandra. 

Ler é Viver

A literatura é uma arte que enriquece a cultura e transforma vidas, além de levar o leitor a viajar por diversos universos. Valorizar a leitura e divulgar ações que dignificam a arte literária são os principais objetivos do programa Ler é Viver. 

Após a exibição dessa edição, o programa pode ser conferido na grade de programação da TV ALEMS nas segundas, às 8h, domingos, às 12h, e sextas, às 18h. A TV Assembleia de Mato Grosso do Sul pode ser assistida no YouTube ou no site www.al.ms.gov.br/tvassembleia

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