Ramal de integração, Nova Ferroeste vai permitir que MS seja exportador de soja e milho para região sul

Além de fortalecer e melhorar a logística interna de escoamento de mercadorias em Mato Grosso do Sul, a Nova Ferroeste vai permitir que o Estado seja um polo exportador de milho e soja para atender os produtores do Paraná, Santa Catarina e até o Rio Grande do Sul.

As considerações foram feitas ontem pelo assessor da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Lúcio Lagemann, que foi um dos palestrantes do Simpósio da Integração Logística do Sul, realizado nesta terça-feira (12) durante a Mercoagro (Feira Internacional de Negócios, Processamento e Industrialização de Carne) que acontece entre os dias 12 e 15 de setembro em Chapecó (SC).

Ele representou o Governo do Estado no evento. Durante a palestra “A Ampliação da Conexão Ferroviária pelo Mato Grosso do Sul”. Lagemann citou que o estado possui duas ferrovias: a Malha Norte, com 350 km e faz escoamento de boa parte da produção do nordeste do estado, e a Malha Oeste, que tem 1.300 km, mas está parada e, agora, foi incluída no PAC do Governo Federal.

De acordo com Lagemann, o projeto da Nova Ferroeste é fundamental para o Mato Grosso do Sul, pois tem potencial de transporte de 10 milhões de toneladas. “Não tem outro meio de escoar produção a grandes distâncias que não seja por ferrovias. Quando fizemos o projeto percebemos que, além da redução do curso logístico, haverá crescimento econômico e social, com geração de emprego e renda para o estado. A ferrovia deixa de ser um projeto só de ferrovia e passa a ser indutor econômico e de segurança para os próximos anos”, sublinhou, ao acrescentar que as leis de autorizações ferroviárias federais e estaduais permitirão a construção de até 700 km de novos ramais que poderão gerar mais de R$ 8,5 bilhões em novos investimentos até 2030.

Lagemann detalhou que com a ferrovia a ideia do MS é aumentar o fluxo de cargas com destino ao Paraná e Santa Catarina. “Seremos um polo de fornecimento de soja e milho para o Paraná, Santa Catarina e até o Rio Grande do Sul. O que precisamos é de uma estrutura logística eficiente porque são produtos transportados em grande volume e que precisam chegar em tempo hábil”, disse.
O assessor ressaltou que Mato Grosso do Sul tem inúmeras agroindústrias e cooperativas ligadas a região oeste de SC e que produzem proteína animal. “Por isso o Estado é um grande incentivador deste ramal que vai ampliar o fluxo de cargas com proteína animal e grãos para fazer a alimentação e colocar as cooperativas na rota de logística”, acrescentou.

Segundo ele, Mato Grosso do Sul tem amplo potencial de atender a demanda dos estados do sul. “Temos em MS um potencial de crescimento expressivo de área agricultavel e não tenho dúvida que seremos um celeiro de grãos e fornecimento para estes estados. E a Ferroeste entra neste sentido reduzindo custos de produtos que precisam ser transportados com menor custo beneficio. Acredito que além de competividade a quem ja está atuando a Nova Ferroeste vai abrir espaço para o segrumento de novos negócios”, citou.

Evento em Chapecó discute projeto da Nova Ferroeste

O Paraná e Santa Catarina lideram produção e exportação de carne suína e de frangos e, por isso, o projeto da Nova Ferroeste inclui o ramal conectando Cascavel (PR) a Chapecó (SC), o que vai agilizar e reduzir custos do trânsito de grãos vindos do Mato Grosso do Sul para alimentar os animais nas propriedades do oeste catarinense e paranaense, com retorno de carne suína e de frango para exportação.

O transporte de insumos e produtos é fundamental para o bom desempenho da indústria de alimentos, essencial para a economia dos três estados abrangidos pela Nova Ferroeste.
Proposto pelo Governo do Paraná, o projeto da Nova Ferroeste prevê a ligação por trilhos dos estados do Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina. Com 1.567 km de extensão a nova malha terá um tronco principal de Maracaju (MS) a Paranaguá e dois ramais a partir de Cascavel para Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira, e para Chapecó, no oeste catarinense.

O ramal de Chapecó terá 263 quilômetros de trilhos que vão passar por 11 municípios do Paraná (Boa Esperança do Iguaçu, Bom Sucesso do Sul, Cascavel, Catanduvas, Dois Vizinhos, Itapejara d’Oeste, Marmeleiro, Renascença, Três Barras do Paraná, Verê, Vitorino) e sete municípios de Santa Catarina (Bom Jesus do Oeste, Campo Erê, Modelo, Pinhalzinho, Saltinho, São Bernardino e Serra Alta). Estão previstos 18 túneis e 31 pontes e viadutos.

Santa Catarina consome anualmente de 5 milhões a 7 milhões de toneladas de milho e soja produzidos, na sua maioria, no Mato Grosso do Sul, além do Paraná e Paraguai. Somados ao farelo e óleo de soja, estes insumos alimentam os plantéis espalhados nas cidades do Interior. Já o Mato Grosso do Sul planeja expandir a produtividade atual de 4 milhões de hectares plantados para 6 milhões de hectares nos próximos oito anos. Ou seja, a Nova Ferroeste casa oferta e demanda.

Projeto

O ramal proposto no projeto entre Cascavel e Chapecó vai transformar a logística atual, exclusivamente realizada pelo modal rodoviário. Ao se conectar ao chamado tronco principal entre Maracaju e Paranaguá, o ramal será um grande corredor de grãos vindos do Mato Grosso do Sul, que vão retornar das indústrias como proteína animal para abastecer o mercado interno e externo.

O coordenador do Plano Ferroviário do Paraná, Luiz Henrique Fagundes, destacou o ganho de custo na ordem de 30% em relação ao modal rodoviário com a implantação da ferrovia. “Certamente novos mercados vão se abrir para o setor produtivo. Isso vai melhorar a margem e permitir que sejam feitos mais investimentos, gerando novos empregos em todas as regiões por onde a ferrovia passar”, afirmou.

A cooperativa Aurora Alimentos, em operação em Chapecó desde 1969, possui 40 mil funcionários diretos e 65 mil cooperados. Produz linguiças, frios, suínos, frangos, lácteos, pães, vegetais e pescados que abastecem o mercado nacional e são exportados para 80 países. Representantes da cooperativa também estão animados com o projeto.

“A logística interna é hoje um dos nossos grandes entraves. Temos a questão do suprimento de grãos, estimamos que em torno de 5 milhões toneladas de grãos precisam ingressar por ano de outros estados, especialmente do Centro-Oeste e também do Paraguai. A construção de uma ferrovia não pode ficar só no sonho. O projeto da Nova Ferroeste é o caminho mais curto para podermos continuar a ser competitivos”, disse o presidente da cooperativa, Neivor Canton.

Rosana Siqueira, com informações da assessoria da Nova Ferroeste e jornal Folha do Oeste 
Fotos – Nova Ferroeste

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