Escritora paranaense ganha concurso cultural em MS e terá miniconto adaptado para as telas

Seleção teve boas surpresas e 45 inscrições de diversos cantos do país

Foi divulgado o resultado do concurso cultural de minicontos com o tema ‘Cadê Você…?’, realizado pela equipe do curta metragem sul-mato-grossense Cadê Você, Jhonie?, road movie que deve estrear ainda esse semestre. O curta foi produzido através do edital do Museu da Imagem e do Som da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul para apoio à produção de obras audiovisuais inéditas, de curta metragem, de ficção ou documentário. Finalização e Distribuição realizadas com recursos do Fundo Municipal de Cultura – FMIC/2019 disponibilizado pela Prefeitura Municipal de Campo Grande através da Secretaria Municipal de Cultura.

Inscreveram-se 45 participantes de 11 estados, sendo 11 de São Paulo, 9 de Mato Grosso do Sul, 5 do Rio Grande do Sul, 4 do Paraná, 4 do Mato Grosso, 3 de Minas Gerais, 3 do Rio de Janeiro, 3 do Pará, 1 do Distrito Federal, 1 do Ceará e 1 de Pernambuco. Os minicontos passaram por uma comissão de avaliação composta pela cineasta Larissa Anzoategui e também Carlos Diehl e Wilyam Nicolay, diretores e produtores de Cadê Você, Jhonie?. “Tivemos uma ótima colheita de contos! Além do número expressivo de participantes, a qualidade deles foi altíssima. Um dos pontos que utilizamos para a seleção foi a questão da adaptação. Não bastava a história ser boa, ela precisava também ter potencial para ser adaptada para uma peça audiovisual. Foi assim que nos guiamos para a escolha”, explica Wilyam Nicolay. A cineasta Larissa Anzoategui ressalta ainda outro critério de seleção, que ganhou uma nova dimensão em meio à realidade atual: poder ser produzido no meio da pandemia. “Não foi uma escolha muito fácil, eu ia lendo e já imaginando as cenas. Adorei a ideia do concurso e amei a oportunidade de participar da escolha do grande finalista. Estou doida pra ver o resultado em imagem e som”, revela.

Dentre as produções, a vencedora foi  “Cadê Você, Gertrud?”, da paranaense Lílian Deise de Andrade Guinski. Mestre em Letras e Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná, ela já tem uma história na literatura, mas conta que ficou surpresa ao saber do resultado e que ficou motivada a participar do concurso quando tomou conhecimento do mesmo. “Gosto muito de escrever. Escrevo contos, poesias, crônicas, mas eu sofro do mal que aflige os escritores não profissionais (ou sem apoio de grandes editoras): a falta de um leitor alfa ou inicial. Eu quero saber se meu texto está bom, mas não quero incomodar os amigos pedindo que leiam e avaliem minhas criações. Sendo assim, comecei a buscar na internet informações sobre concursos de literatura  para enviar minhas obras e conseguir leitores alfa.  Foi dessa forma que encontrei o “Cadê você,…:” . Ao ler o edital percebi que o interesse dos organizadores não era receber um grande número de textos e assim justificar o projeto, mas sim propor aos escritores concorrentes uma escrita diferente, pensada a partir da junção literatura e imagem. Com uma proposta tão diferente, me senti instigada a escrever algo fora da minha zona de conforto. Foi fantástico”, afirma.

Além disso, Lílian relata que seu mininconto “Cadê Você, Gertrud?” foi escrito especialmente para a seleção, iniciando no momento em que concluiu a leitura do projeto. “Foi algo inesperado.  Perguntas surgiram: ambiente aberto ou fechado? Quantos personagens? Como escrever um conto para ser transformado em vídeo? Respondendo minhas próprias dúvidas surgiu o texto. Foi um filme que rodei nos meus pensamentos”, pontua.

Premiação – Como vencedora do concurso, Lílian Deise de Andrade Guinski leva para casa um prêmio de R$1000, além disso, seu miniconto será adaptado para um curta metragem. “Discutiremos com ela sobre quais técnicas utilizaremos. A escrita de Lílian nos chamou a atenção por nos prender ao enredo, o que é fundamental para uma boa história”, afirma Carlos Diehl, um dos diretores e produtores de Cadê Você, Jhonie?.

O miniconto da escritora paranaense já está publicado no site oficial do filme e pode ser acessado pelo https://cadevocejhonie.com.

Sobre Cadê Você, Jhonie? – O filme conta a história da busca de Inácio por seu amigo Jhonie, que após a morte de seus pais, decidiu pegar a estrada em uma viagem de autoconhecimento em seu Opala Vermelho, pelo interior de Mato Grosso do Sul. No caminho, no entanto, surpresas e situações surreais passam a acontecer.

Cadê Você, Jhonie? é um road movie, ou seja, um filme que se passa pelas estradas, com muitas descobertas e paisagens incríveis ao longo da jornada. O diferencial é que essa trama é cheia de mistérios e pitadas de terror, ideal para quem quer se surpreender e sair do óbvio. 

A trama do curta foi inspirada em uma lenda da região dos garimpos de Aquidauana (MS) na década de 1970. Segundo ela, havia um hotel onde os hóspedes desapareciam e tinham seus diamantes roubados. Seus corpos nunca eram encontrados e, seu destino, dizem, era literalmente virar churrasco. Com essa história de terror na cabeça, Carlos Diehl e Wilyam Stevan Nicolay escreveram um roteiro dividido em capítulos, como em um conto romântico de terror. A narrativa com tom contemporâneo é desconstruída aos poucos em uma clara referência a grandes diretores de Hollywood como Alejandro Iñarritu, Win Wenders e Quentin Tarantino. 

A direção do jovem Wilyam Stevan Nicolay garante à produção um ritmo dinâmico que cativa o espectador, alternando entre a tensão da busca por Inácio e as belezas das paisagens das estradas do entorno de Campo Grande, na região de Rochedinho. Destaque também para o trabalho do elenco, em especial, para Tai Petelin, que dá vida à visceral Carol, um dos personagens mais complexos do filme. 

Quem assistir a Cadê Você, Jhonie? vai certamente se lembrar dos filmes de terror dos anos 1970 e 1980, especialmente O Massacre da Serra Elétrica, de Tobe Hoper, e Evil Dead, de Sam Raimi. “Cadê Você, Jhonie? é um filme para todos os públicos, em especial para quem ama narrativas de horror e busca novas emoções nesse gênero já tão consagrado pela indústria cinematográfica”, pontua Wilyam.

O filme traz cenários incríveis e um trabalho de fotografia primoroso, com assinatura de Fabricio Borges. Para dar ritmo à trama, a Dope Audio Design produziu o áudio e as trilhas, com toda a excelência que a produção pede. Além disso, o filme conta com a primorosa produção da Filmadelas Produtora.

Fonte: Evelise Couto

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp

Leia Também