Dourados: Viva Mulher lembra da importância da luta contra o feminicídio

O local acolhe mulheres vítimas de violência doméstica em Dourados

Jamile de Souza tinha 29 anos quando foi morta pelo ex-marido. Larissa Silva Cruz, tinha 18 anos quando foi assassinada com 20 facadas, também pelo companheiro. Essas são mulheres vítimas do feminicídio em Dourados, crime que apresentou números alarmantes no Mato Grosso do Sul: 30 casos em 2019 e 39 no ano passado.

Foi pensando em ajudar mulheres a romper o silêncio e sair de relacionamentos abusivos que o dia 1º de junho foi instituído como Dia Estadual de Combate ao Feminicídio.

Diferente do homicídio, o feminicídio é um tipo específico de crime, que é praticado contra a mulher em decorrência do fato de ela ser mulher. Criada em 2015, a Lei funciona como uma medida legal de maior eficácia para coibir o assassinato de mulheres.

Em Dourados, o Viva Mulher (Centro de Atendimento à Mulher em Situação de Violência) serviço da proteção social especial, ligado à Semas (Secretaria Municipal de Assistência Social), acolhe mulheres vítimas de violência doméstica e ressalta a importância de ações que proporcionem que mais vítimas rompam com o ciclo de violência.

“Em nossa sociedade devemos sempre discutir a posição que ocupamos para que possamos lutar pelo respeito e pela igualdade seja no ambiente que for, de sermos reconhecidas como pessoas de direitos e é por meio da divulgação dos serviços que estão à disposição das mulheres, que orientamos, apoiamos, acompanhamos e encaminhamos para que mais uma não faça parte da estatística desse crime tão brutal. Em Dourados no ano de 2020 foram mais de 4 casos, que poderiam talvez ter sido evitados, com apoio, orientação, informação e é neste contexto que a equipe do Viva Mulher, atua, sempre à disposição da mulher que se encontra nesta situação”, afirmou a coordenadora do Centro, Keli Pretti.

Juliana* viveu quase 10 anos dentro de um relacionamento abusivo. Agressões físicas e psicológicas passaram a fazer parte da rotina. “Aos poucos ele foi acabando com a minha autoestima, eu tinha medo de tudo, receio de fazer algo errado. Quando chegava em casa nunca sabia se ele estaria de boa ou não. Tinha que limpar a casa o tempo todo, fazer comida na hora certa e mesmo assim nunca era suficiente”, relembra.

Ela procurou o Viva Mulher no início deste ano depois de pedir uma medida protetiva. “Eu tomei a decisão de sair do relacionamento e ele não aceitou, então pedi a proteção e com a ajuda do Centro de Atendimento fui me fortalecendo. Passei muito tempo achando que a culpa era minha, tentando melhorar para que o casamento desse certo, mas a psicóloga me ajudou a entender que eu não tenho culpa do que ele fazia comigo”, detalha.

Para Keli, sempre há necessidade em falar sobre violência doméstica contra a mulher, “devemos como cidadãos e cidadãs alertar as mulheres, sobre o risco que muitas vezes estão correndo, pelo fato de serem mulheres”.

Assim como Juliana, outras mulheres podem e devem procurar atendimento. Além de garantir o sigilo, o local não pede nenhum tipo de denúncia prévia para fazer o atendimento. “Muitas acham que só podem nos procurar depois de fazer uma denúncia, nosso atendimento não é vinculado ao atendimento policial e nem a nenhum outro procedimento, nosso foco é nas mulheres”, reforça a coordenadora do local.

O Viva Mulher fica na rua Hiran Pereira de Matos, 1520, na Vila Mary. Os telefones para contato são 3424-5268 ou 98468-6108. Para denúncias de ações de violência contra a mulher, o telefone da DAM é 3421-1177.

*Nome fictício para proteger a identidade da vítima.

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