Campanha nacional contra o feminicídio será lançada no próximo dia 30 no Estado

O Levante Feminista está divulgando seu Manifesto com a hashtag #NemPenseEmMeMatar e pretende sensibilizar a sociedade para a escalada dos assassinatos de mulheres.
Divulgação

O Levante Feminista Contra o Feminicídio lançou oficialmente, na última quinta-feira (25), a campanha nacional “Nem Pense em Me Matar – Quem mata uma mulher mata a humanidade!”. O evento teve a participação de nomes relevantes do feminismo na América Latina, como Veronica Gago, do Ni Una Menos, na Argentina, e Sofia Garzon Valencia, de Processo de Comunidades Negras, da Colômbia, e de especialistas brasileiras, como Deborah Duprat, ex-procuradora Federal dos Direitos do Cidadão.

O objetivo é discutir a necessidade urgente de mudar a cultura patriarcal, romper com o mito de que o homem tem domínio sobre a mulher e não admite que ela diga “não” a um relacionamento abusivo.

Em Mato Grosso do Sul, o lançamento do Levante será em 30 de março às 19 horas e contará com a presença de Vilma Reis, socióloga, filha do Terreiro do Cobre, ativista do Movimento de Mulheres Negras do Brasil, mestra em Ciências Sociais, doutoranda em Estudos Africanos, defensora de Direitos Humanos e co-fundadora da Mahin Organização de Mulheres Negras. É pesquisadora associada ao ICEAFRO – Instituto Ceafro, foi ouvidora geral da Defensoria Pública da Bahia (2015 a 2019) e presidenta do Conselho Nacional de Ouvidorias Externas das Defensorias Públicas no Brasil (2018 a 2019).

Jaqueline Gonçalves, da etnia kaiowá-guarani, uma das lideranças feministas de defesa do povo indígena em MS e representante do Kunangue Aty Guasu (Grande Assembleia das Mulheres Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul) e Luciana Mendes, feminista, professora de História, artesã e empreendedora de Três Lagoas.

Elas completarão a programação da Live, que será ancorada por Romilda Pizzani, feminista e ativista, educadora social produtora cultura e coordenadora do Fórum Permanente das Entidades do Movimento Negro MS e vice-presidente do Conselho Estadual de Cultura MS.

No evento, também haverá poesia, fala de artistas convidadas e a exibição do clipe “Corpo Meu”, samba composto por Cris Pereira e interpretado pela sambista Fabiana Cozza – ambas se juntaram à luta do Levante. Essa canção representa o hino da campanha nacional. A letra diz:

“Houve um dia, que eu até sentia medo
Que você chegasse cedo
Pro meu corpo machucar.
Mas eu virei o tabuleiro
Este jogo, companheiro,
Eu não vou mais aceitar.
Nem Pense Em Me Matar”

O lançamento da Campanha em Mato Grosso do Sul, caracteriza a segunda fase do Levante Nacional, que está em ebulição nas redes sociais, os 20 estados participantes farão ações pontuais, organizadas pelas mulheres que vivem e conhecem a realidade específica do feminicídio em cada região. Para isso, foram criados materiais de comunicação com a imagem de girassóis amarelos, símbolo do Levante, que figura como sinal de esperança e celebração da vida.

Mais sobre o Levante Feminista contra o Feminicídio

A articulação para criar o Levante Feminista Contra o Feminicídio foi iniciada por Vilma Reis, socióloga, referência dos movimentos negros no país, integrante da Coalizão Negra Por Direitos, Marcia Tiburi, filósofa, escritora e artista, e Tania Palma, pesquisadora e assistente social. A frente, que rapidamente ganhou corpo, é formada por cerca de 200 feministas. Entre elas, estão mulheres negras, indígenas, quilombolas, ribeirinhas, das águas, das florestas, das favelas antiproibicionistas, dos movimentos LBTQIA+ e de outros segmentos das organizações populares e da sociedade civil.

Embora o crime de feminicídio esteja no Código Penal desde 2015, o assassinato de mulheres – apenas por serem mulheres – cresce diariamente no Brasil.

No primeiro semestre de 2020, com a necessidade de isolamento social, foi registrado aumento de 1,9% deste crime de ódio. Naqueles primeiros seis meses, foram mortas 648 brasileiras, a maioria negras e vivendo em desigualdade social.

No Manifesto, escrito de forma coletiva, a frente pontua de forma contundente que a existência de uma “cultura de ódio”, direcionada às mulheres brasileiras, precisa chegar ao fim, e que a prática do crime de feminicídio “nunca esteve tão ostensiva e extremista” quanto agora, no governo de Jair Bolsonaro.

O documento afirma que atitudes misóginas transformaram-se em comportamento aceito e legitimado pela sociedade, contaminando o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

Também denuncia a negligência e inoperância do Estado Brasileiro no enfrentamento à violência contra as mulheres, e traça o *perfil dos matadores: “são homens que não admitem a autonomia, a igualdade e a liberdade das mulheres. São machistas, violentos que querem a redomesticação e o afastamento das mulheres da vida pública…”; “usam a violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial contra mulheres e seus filhos até o extremo, que é o ato do feminicídio”.

Feminicídio em Mato Grosso do Sul

O sentimento de posse e desprezo pelas mulheres é a base dos crimes de feminicídio.

Em 42% dos casos de MS, o motivo desse crime é a não aceitação do fim do relacionamento, em 18% dos casos o ciúme.

Entre as armas utilizadas nos crimes estão em primeiro lugar facas, seguidas de armas de fogo e nessa ordem asfixia, facão, fogo, canivete e pedaços de madeira.

Segundo o Tribunal de Justiça do MS, das 96 denúncias de feminicídio no ano de 2019, 69% foram tentativas e 31% foram crimes consumados, o que representa o assassinato de 30 mulheres. O Mapa de Feminicídio do Governo do Estado do MS aponta que das mortes ocorridas, 16,6% foram na capital e 83,4% no interior.

A cada mês, 130 mulheres registraram BO por estupro; a cada semana, 150 mulheres sofreram agressões físicas tipificadas como lesão corporal dolosa; a cada dia, 51 mulheres denunciaram terem sofrido algum tipo de violência doméstica; a cada hora, 2 mulheres foram vítimas de ameaça.

O Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública 2019, traz uma análise mais detalhada sobre os feminicídios ocorridos no Brasil, que totalizaram 1.206 vítimas no ano de 2018, um crescimento de 8% em relação ao ano anterior, com ápice da mortalidade aos 30 anos e com a informação de que, em 88,8% dos casos, o autor foi o companheiro ou o ex-companheiro da vítima.

Considerando a taxa de feminicídios no ranking por UFs, Mato Grosso do Sul foi o segundo estado brasileiro com o maior número percentual de feminicídios em 2018, com taxa de 2,6 por 100mil mulheres.

2020
No ano de 2020, foram registrados 39 crimes de femincídio em Mato Grosso do Sul.

Campo Grande, registrou o pior índice da série histórica, foram 11 feminicídios – um número correspondente a mais que o dobro de 2019.

Lançamento campanha #NemPenseEmMeMatar em Mato Grosso do Sul

Data: 30 de março de 2021
Horário: Das 19h às 21h 30min (horário do MS)
Transmissão: Página do Facebook do Levante Feminista:
https://www.facebook.com/LevanteFeminista2021/
Acessibilidade: O evento também terá transmissão por Libras.

Siga a campanha nas redes sociais:
Twitter: https://twitter.com/LevanteFem
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Instagram: https://www.instagram.com/levantefeminista/

Conheça o manifesto #NemPenseEmMeMatar: http://bit.ly/3vvuIVy
Interessado em apoiar financeiramente? Acesse: http://bit.ly/2OE7mMS

Assessoria de imprensa | Contato para entrevistas e outras informações:
Romilda Pizani (Campo Grande)
Email:mailto:rnetopizani[email protected]
Telefone: +55 (67) 9305-1493

Luciana Mendes (Três Lagoas)
Telefone: +55 (67) 9628-0331

Maria Rosana (Campo Grande)
Telefone: + 55 (67) 9985-2008

Um Levante com mais de 300 mulheres em MS está sendo organizado por feministas de diversas entidades que lutam pelo fim da violência contra a mulher. São feministas de todo o Estado…. Depois do lançamento, as entidades vão se organizar para então, traçarem as ações conforme as realidades regionais.
O envolvimento da imprensa nesse momento de pandemia na defesa do fim do feminicidio é fundamental.

Nós, mulheres feministas brasileiras, negras, indígenas, pardas, brancas, quilombolas, periféricas, convivendo com deficiências, lésbicas, bissexuais, cis e trans, das cidades, do campo, das águas e das florestas, nós, mulheres mães, parteiras tradicionais, trabalhadoras precarizadas, hiperexploradas e desempregadas, nos levantamos, em um ato de revolta, contra o feminicídio no Brasil e exigimos seu fim.

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