DENÚNCIA: União Química diz que Anvisa não libera Sputnik V para favorecer outros laboratórios

Le vaccin russe Sputnik V

Já faz algum tempo que a União Química negocia com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a liberação de uso emergencial da Sputnik V no Brasil. O laboratório diz que pediu a autorização e que ela está parada na agência. O órgão nega.

Na semana passada, havia uma reunião marcada entre os representantes do laboratório e da agência, mas o encontro foi adiado para esta semana. Desta vez, ele aconteceu, na quarta-feira (17), mas o pedido de uso emergencial do imunizante não avançou.

Em nota, a agência confirma que se reuniu com a União Química e que já está com as informações sobre qualidade, eficácia e segurança da vacina, mas ressalta que ainda não recebeu o relatório oficial, necessário para o pedido de liberação para uso emergencial. A própria farmacêutica reconheceu a falta dos documentos exigidos pela Anvisa.

Mais um encontro entre a Anvisa e o laboratório foi marcado para a próxima segunda-feira (22). A expectativa é que os documentos faltantes sejam entregues para que o pedido possa ser avaliado. O órgão aponta que “estão pendentes dados essenciais para a análise”.

Acusações à Anvisa

Nesta quinta-feira, Fernando Marques, dono da União Química, acusou a Anvisa de barrar o produto por interesses políticos. A mensagem de áudio foi enviada originalmente a Luciano Hang, dono das lojas Havan. A agência se defende e diz que a farmacêutica precisa entregar dados sobre segurança e eficácia da vacina.

Segundo Marques, a Anvisa não libera a Sputnik V porque quer favorecer o Instituto Butantan, que produz a CoronaVac e é ligado ao governo de São Paulo, e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que fabrica a Covishield, desenvolvida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido – e, segundo ele, é ligada ao PT e ao PCdoB. “E, porra, não tem vacina, o povo tá morrendo”, afirma.

A empresa diz que protocolou um pedido de liberação para uso emergencial em janeiro, mas que a solicitação foi ignorada. “Eu tenho comprovante eletrônico de que entrei com o pedido dia 14 de janeiro”, diz Marques. “É surreal o que estou passando. E esse povo não tem coração. Matando as pessoas por falta de vacina. É uma loucura”, completa.

O empresário afirma que a Rússia se comprometeu a enviar 10 milhões de doses ao Brasil entre abril e maio. Esse lote foi comprado pelo ministério da Saúde, antes mesmo da aprovação de uso emergencial do imunizante. Além disso, governadores do Nordeste anunciaram a aquisição de 37 milhões de doses da fórmula. Essas unidades serão doadas ao Plano Nacional de Imunizações (PNI).

A União Química confirmou a autenticidade do áudio de Marques. Segundo a companhia, ele foi gravado em um momento de desespero. “O imunizante já vem sendo aplicado em mais de 40 países, salvando milhões de vidas, e aqui seguimos sem autorização para importar e produzir”, diz a farmacêutica. Estudo publicado na revista científica The Lancet aponta que a eficácia do imunizante é de 91,6%.

Fonte: Estadão

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