Com “nome sujo”, prefeitura não consegue receber dinheiro do governo

Negativada no Cadin e sem certidão da Receita, município não recebe os subsídios que bancam o passe dos estudantes

A paralisação dos trabalhadores do transporte coletivo de Campo Grande por pouco mais de uma hora e meia na manhã desta quarta-feira (22), se deu em função do calote da prefeitura no pagamento de subsídios ao Consórcio Guaicurus.

Sem o dinheiro, as empresas não conseguiram pagar o adiantamento salarial dos trabalhadores, depositado sempre no dia 20 de cada mês.

Um dos calotes está relacionado aos subsídios que bancam a gratuidade dos estudantes da rede estadual de ensino no transporte coletivo urbano.

Sem lenço e sem documento

Apesar de estar sem dinheiro em caixa, a gestão Adriane Lopes (PP) não consegue receber parcelas que somam R$ 6 milhões devidos pelo governo do Estado para subsidiar a gratuidade dos alunos da rede estadual matriculados em escolas municipais.

Isso porque o município está negativado desde o dia 14 de junho no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin).

Por conta dessa situação, a prefeitura não consegue obter desde o dia 7 de outubro, a Certidão de Regularidade Fiscal da Receita Federal, o que impede o governo do Estado de repassar o dinheiro das gratuidades dos estudantes.

Com “nome sujo”, prefeitura não consegue receber dinheiro do governo
Certidão da Receita Federal está vencida desde o dia 7 de outubro (Reprodução)

Certidão vencida

O município se valia, até 7 de outubro, de certidão positiva com efeitos de negativa. Agora, nem dessa condição a prefeitura consegue se beneficiar.

De acordo com o que foi apurado pelo Vox MS, neste ano a Secretaria de Estado de Fazenda já repassou pouco mais de R$ 6 milhões à prefeitura, restando o mesmo valor em caixa, mas que não pode ser repassado por conta das restrições fiscais impostas pela União ao município.

Negligência

O governo do Estado vem desde o ano de 2023 subsidiando a gratuidade dos estudantes da rede estadual de ensino matriculados nas escolas municipais.

Apesar de as aulas terem começado no dia 10 de fevereiro, somente no dia 9 de julho foi formalizado o convênio entre o governo do Estado e prefeitura.

Denominados no convênio como “transferência voluntária” os repasses em 2025 somam pouco mais de R$ 13,4 milhões, a serem liberados em 4 parcelas de R$ 3,36 milhões.

Até agora, o Consórcio Guaicurus recebeu apenas um das quatro parcelas, apesar de o governo já ter repassado duas delas.

Outras duas, que somam pouco mais de R$ 6,6 milhões, não foram repassados por conta da situação fiscal da prefeitura, negativada no Cadin e sem certidão negativa de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União, expedida pela Receita Federal.

Com “nome sujo”, prefeitura não consegue receber dinheiro do governo
Anotações feitas pela Receita Federal a respeito de débitos da prefeitura a negativaram no Cadin (Reprodução)

Manifestação da prefeitura 

Em nota à imprensa, a prefeitura negou estar devendo qualquer quantia às empresas do transporte coletivo. Leia a nota, a seguir, na íntegra.

Nota à Imprensa – Prefeitura de Campo Grande

A Prefeitura de Campo Grande informa que está rigorosamente em dia com todas as suas obrigações de pagamento junto ao Consórcio Guaicurus. É importante destacar que o financiamento do transporte coletivo urbano envolve também outros entes públicos e a própria sociedade, por meio da tarifa paga pelos usuários.

No que compete ao Município, todos os compromissos estão sendo cumpridos. A administração mantém diálogo constante com o Consórcio para buscar as melhores soluções e assegurar a continuidade e a qualidade do serviço, evitando prejuízos à população.

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