Clube de leitura se debruça em obra de escritor do interior de MS neste sábado

O “Clube de Leitura Pássaro-Poesia” realiza neste sábado, dia 30 de agosto, às 10h, na Hámor Livraria, em Campo Grande, uma revolução literária com o livro “A peste e o país que se perdeu”, discutindo os poemas de Volmir Cardoso.

            Volmir Cardoso, natural de Batayporã, e radicado em Campo Grande há alguns anos, além de conceituado professor universitário na área de Literatura (UEMS), vinha escrevendo alguns versos e os escondia em sua gaveta, no quartinho da bagunça de sua casa. Depois da eclosão da pandemia da COVID-19, os versos se multiplicaram e o esconderijo não dava mais conta de tantos poemas urgentíssimos a serem dados a público. Parte desse material é o que está publicado no seu livro de estreia: “A peste e o país que se perdeu”, lançado em 2022, e que será objeto do bate papo do Pássaro-Poesia, neste sábado, 30/08, às 10h, na Hámor Livraria.

            Grande amigo e seu conterrâneo, o excelente contista Eusvaldo Rocha Neto não perde tempo em afirmar: “Volmir desfia em seu livro o rosário da ‘peste’ que assolou o pobre, o preto, o indígena, a mulher, a trans, em suma, as trabalhadoras e os trabalhadores, toda a população do Brasil: a gente, ou as gentes que sofreram na pele a perdição do nosso País, por meio das garras da peste biológica e política.”

            O próprio autor comenta sobre a concepção de sua obra: “Escrevi durante a pandemia de Covid-19 como um tipo de necessidade de comunicar coisas que me sufocavam e nos sufocavam naquele período. Sufocar remete aos efeitos trágicos da própria doença, mas havia no ar um sufocamento de ordem mais profunda, posto na vida social. Presos em casa, saturados por paranoias e ódio que circulavam na internet, tendo que lidar com o medo crescente de perder pessoas queridas, sem sequer poder velá-las. Fora isso, a necropolítica governamental avançava. No final, tivemos mais de 700 mil mortos no Brasil e hoje ainda lidamos com esse luto mal cumprido. Os poemas deste livro foram a minha tentativa de começar a elaborar esse luto pela expansão simbólica, ainda que precária, da palavra poética.” Com esse teor, é que nascem versos como: “algo em nós já ia morrendo / quando veio a Peste / como um corvo agreste / bicando o lado de dentro”.

            Alessandro Sputnik, outro poeta, leitor e amigo de Volmir Cardoso, fez um raio-x dos mais vulneráveis: “Pô! Mulheres, indígenas, negros, sem-terra e todos aqueles que sofreram  e ainda sofrem! – sob o jugo do sistema… A burocracia governamental, a violência policial e os algoritmos são denunciados com coragem. Volmir é poema-vômito, é poema-estilhaços e é prosa poética viciante, viciante mesmo!”

            Acerca da prosa poética, é Henrique Pimenta, curador do clube de leitura, quem reforça: “A prosa poética desse cara me lembra Rimbaud, geração beat, Sousândrade e Roberto Piva. O autor de ‘A peste e o país que se perdeu’ está em muitíssimo boa companhia. É só deixar fluir! Eu já falei para ele, se possível, escrever um livro somente com prosa poética.”

            Elogios não faltam. Pois bem, neste sexto encontro do Pássaro-Poesia, sintam-se todas e todos à vontade para conversar sobre a boa poesia produzida em MS, sem a obrigatoriedade de leitura completa do livro em questão. É só chegar.

SERVIÇO

EVENTO: Encontro do “Clube de Leitura Pássaro-Poesia”.

LIVRO: “A peste e o país que se perdeu.

ONDE: Hámor Livraria – rua Amazonas, 1.080.

DATA: Sábado, 30 de agosto, às 10h.

Facebook
Twitter
WhatsApp

Leia Também