Após “susto”, Débora vai transformar “Conta de Luz Zero” em parede da casa nova

“Fiz o pedido no programa do governo, mas quando a conta veio zero, até me assustei”
(Foto: Henrique Kawaminami)

Ao receber a conta de energia elétrica Débora Nascimento, 27 anos, nem acreditou no valor e chegou a ir atrás do funcionário da empresa para pedir esclarecimento. Mas, desta vez, a notícia, de forma surpreendente em tempos de alta da inflação, era boa. “Ele disse que a conta de luz veio zerada porque o governo tinha pago”.

Moradora no Jardim Noroeste, na saída para Três Lagoas, Debora está inscrita no programa “Energia Social Conta de Luz Zero”, em que 152 mil famílias de baixa renda terão a conta de energia paga pelo governo de Mato Grosso do Sul. A medida é de longo prazo e alcança até a conta de janeiro de 2023.

“A conta de luz vinha em torno de R$ 200. Fiz o pedido no programa, mas quando veio zerada até me assustei”, diz. Ela divide uma casa de madeira com o marido e os dois filhos: uma menina de 9 anos e um menino de 7 anos. Toda a renda da casa vem do salário de mil reais do marido, que trabalha na coleta de lixo em Campo Grande.

Com a conta de luz zerada, o valor até então destinado a esse compromisso mensal será investido na construção de uma casa de alvenaria. “Vou guardar e contratar um pedreiro”, diz, enquanto as crianças brincavam no quintal.

Conforme estabelece a lei, o benefício é limitado às famílias inscritas no CadiÚnico do governo federal e beneficiadas com a “Tarifa Social”. O consumo mensal das residências deve ser de até 220 kWh (quilowatt-hora) por mês.

Considerando uma média de quatro pessoas por família, o governo calcula que mais de 566 mil cidadãos serão beneficiados.

Desempregado Fernando Soares, 61 anos, traça um duro retrato das dificuldades financeiras e também espera ser contemplado com a conta de luz zero.

“A conta de luz vem R$ 230 e olha que não tenho nada, só uma geladeira e uma televisão. Na hora de dormir, tiro tudo da tomada. Parei de usar máquina de lavar roupa e uso o fogão a lenha para não comprar gás”, diz.

Ele mora com a esposa e três netos. A família se sustenta com as diárias feitas pela mulher de 53 anos. A média é de três faxinas por semana, com pagamento de R$ 80 por cada. A retração da economia afetou também as doações no Jardim Noroeste, que despencaram desde novembro. “A gente recebia muita doação, principalmente de alimentos”.

Inscrita na tarifa social, Selma da Silva Lopes, 41 anos, paga R$ 70 de conta de energia elétrica. Ela espera ser contemplada pelo novo programa de governo. “Vou usar dinheiro para pagar contas”, diz a diarista, que passa o mês com cerca de R$ 800 e traz o detalhamento do parco orçamento doméstico na ponta da língua.

“Pago R$ 70 de luz, R$ 95 de gás, R$ 50 de água, R$ 400 de mercado e gastei R$ 200 com remédios”. O marido está desempregado e só as vezes consegue levar dinheiro para a casa fazendo bicos de mudança. O casal tem dois filhos adolescentes.

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