Cerca de 5 mil indígenas de MS devem ser contratados para colheita de maça em SC e RS

Para esta safra, as cinco empresas devem contratar cerca de 5 mil índios guarani-kaiowá e terena do Estado

13.01.2020

A Funtrab (Fundação do Trabalho de MS) já começou o cadastramento de vários indígenas no Estado para a colheita de maças em empresas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Para esta safra, cinco empresas devem contratar cerca de 5 mil índios guarani-kaiowá e terena.

Assim como nos anos anteriores, as regras para a contratação foram discutidas e definidas em audiência com a participação de representantes de todos os envolvidos. Para a safra deste ano, as definições ocorreram em encontro realizado na sede da Funtrab no dia 25 de setembro do ano passado. O encaminhamento dos trabalhadores indígenas para as empresas do Sul do país será feito em duas etapas. No final deste mês, eles trabalham na colheita da maça Gala e em março da variedade Fuji. E todos deixam Mato Grosso do Sul já com os contratos assinados e registrados.

Tudo é feito para dar segurança jurídica tanto para os trabalhadores indígenas como para as empresas. As contratantes pagam o mesmo salário-base (R$ 1.278,20), mas o rendimento bruto pode variar de acordo com outras vantagens oferecidas, como gratificação por produtividade, por exemplo, podendo chegar à casa dos R$ 3 mil. As contratantes arcam com o custo do transporte dos índios (ida e retorno), alimentação, alojamento e cesta básica.

Para o diretor-presidente da Funtrab, Enelvo Felini, a conquista dos índios de Mato Grosso do Sul desse importante mercado de trabalho reflete não só nas famílias deles, mas na economia do Estado. “O dinheiro que eles recebem pelo trabalho em Santa Catarina e Rio Grande do Sul eles gastam nas cidades onde moram, movimentando o comércio da cidade. É um trabalho importante que gera emprego, renda e desenvolvimento”, diz ele.

A maior parte dos índios é contratado para a colheita da maça, mas segundo o procurador do Trabalho Jeferson Pereira, as empresas estão aproveitando essa mão de obra também para outras atividades, como operar máquinas, na função de tratorista.

Mesmo com todas as regras sendo discutidas em audiência coordenada pelo procurador do MPT, Jeferson Pereira, e com os indígenas saindo do Estado com a carteira de trabalho e contratos assinados e registrados, o cumprimento do que foi acertado é feito in loco  em visita às empresas pela Comissão Permanente de Investigação e Fiscalização das Condições de Trabalho no Mato Grosso do Sul, coordenada por Maucir Pauletti, e pelo Coletivo dos Trabalhadores Indígenas do Estado de Mato Grosso do Sul, presidido pelo indígena José Carlos Pacheco.

Todos os anos, essas empresas também contratam os guarani-kaiowá e terena de Mato Grosso do Sul para trabalharem no raleio das lavouras de maça, em meados do segundo semestre. O raleio é uma das práticas mais antigas na cultura da macieira sem a qual não seria possível produzir frutos de qualidade. Quando muitos frutos se desenvolvem na planta simultaneamente, geralmente não adquirem adequado tamanho e qualidade no momento da colheita. Dessa forma, o raleio é necessário para ajustar o número de frutos na planta, de forma que os frutos restantes apresentem tamanho adequado à aceitação comercial.

Fonte: Governo do Estado

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