“Segurança fragilizada” – nossas fronteiras estão abertas

As deficiências de fiscalização na fronteira de Mato Grosso do Sul, com Paraguai e Bolívia, estão escancaradas e, há anos, as cobranças por mais investimentos são negligenciadas. A tendência é que nos próximos dias essa situação piore. Gradativamente, começam a chegar no Rio de Janeiro policiais de Mato Grosso do Sul designados para atuar durante os jogos olímpicos. No total, o desfalque no Estado será de aproximadamente 410 agentes de segurança. Obviamente, todos precisariam contribuir para o evento que vai atrair atletas e turistas de todos os continentes ao Brasil. Mas, o Governo Federal volta a cometer grave erro de estratégia ao enfraquecer o policiamento justamente na região por onde chega a maior quantidade de maconha, cocaína, armas e produtos contrabandeados que abastece os demais estados e, inclusive, outros países. 

Haverá ainda mais dificuldade para tentar apreender esses produtos ilícitos quando já estiverem em território nacional. Principalmente, se considerarmos a organização e até mesmo o armamento das quadrilhas – quesitos em que os criminosos têm superado os responsáveis pelo setor de segurança. As polícias federal e rodoviária federal enfrentam deficit de pessoal e já não conseguem executar a fiscalização como deveriam. Estima-se que os policiais apreendem apenas 20% de toda droga que chega ao Brasil. O reflexo será até dentro das cidades sul-mato-grossenses, pois policiais civis e militares também serão designados para atuar no Rio de Janeiro. Para o secretário estadual de segurança, José Carlos Barbosa, o sacrifício temporário será compensado pelo envio de equipamentos, armas, munições e viaturas. Infelizmente, para conseguir a merecida ajuda da União, o Estado precisará desfalcar sua segurança durante algumas semanas. 

Depois, ao que tudo indica, Mato Grosso do Sul continuará a ser “corredor” do tráfico, com o diferencial decorrente das graves consequências que essa fragilização ainda maior da fiscalização nas poderá gerar. Hoje já existe uma guerra na fronteira de Ponta Porã com Pedro Juan Caballero, pois facções criminosas brasileiras disputam o controle da venda de drogas e armas. Certamente, esses grupos já se prepararam para aproveitar a brecha que será aberta com os jogos olímpicos. Há, inclusive, quadrilhas aproveitando para faturar mais, enviando quantidade maior de entorpecentes e armas à capital carioca. 

A medida de retirar policiais da região fronteiriça é completo contrassenso com anúncio feito na semana passada da criação de núcleo permanente de inteligência e fiscalização. Barbosinha e os secretários de segurança do Rio, São Paulo e Paraná formalizaram acordo com o ministro da Justiça, Alexandre Moraes. Ironicamente, o início dos trabalhos com participação de 36 agentes foi anunciado para a próxima semana, justamente no período em que “perdemos” 410 agentes temporariamente. Espera-se que as ações surtam algum efeito prático e, para isso, será indispensável investir no aumento do efetivo, mesmo que a longo prazo. 

Há anos, Mato Grosso do Sul já paga preço alto pela falta de investimentos do Governo Federal na segurança na fronteira. Não foi poupado desse desfalque, mesmo com a certeza de que as consequências devem atingir todo País. Reforçar a segurança no Rio acabará sendo paliativo se considerarmos o tráfico de drogas e armas. Nossos gestores continuam a falhar porque não pensam em estratégias conjuntas. Fragilizar a fronteira, neste momento, é um erro crucial, que demonstra visão limitada dos problemas na área de segurança.  

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