“Retrospecto de falhas” – Campo Grande, uma cidade abandonada

A falta de rigor e fiscalização acabam levando ao descrédito muitas ações de responsabilidade do poder público. O repertório inclui tapa-buraco fantasma e ineficiente; obras intermináveis ou interrompidas por falta de recursos, mesmo com anúncio feito pelos gestores de que havia dinheiro suficiente; contratações suspeitas que acabam alvo de ações judiciais (caso da Omep e Seleta) e, mais recentemente, o episódio do sumiço de vacinas contra gripe em Campo Grande, que deveriam ter sido destinadas a pacientes dos grupos considerados prioritários. Esse é apenas um breve resumo de dificuldades que acabaram tornando-se corriqueiras por conta de deficiências que demoram a ser corrigidas. Pura negligência e descaso com dinheiro público. 

Quando  alguma obra é lançada, gestores apresentam o cronograma e os valores a serem investidos. Na prática, tudo é fictício. Os contratos acabam reajustados por diversas vezes e o tempo para conclusão dos trabalhos, costumeiramente, é desrespeitado. Isso quando não ocorre o pior: construções interrompidas e prédios inacabados transformados em “elefantes brancos”. Exemplos? Basta lembrarmos do Centro de Belas Artes, completamente esquecido pela atual gestão municipal. Outro caso, é o Aquário do Pantanal, onde o excesso de aditivos concedidos às empresas Egelte e Proteco pela administração anterior acabou atingindo o limite estabelecido por lei. Tais acréscimos não podem ultrapassar os 25% estabelecidos no contrato inicial. Assim, o Governo do Estado tenta buscar solução junto ao Tribunal de Contas do Estado para concluir o empreendimento sem infringir as normas previstas na legislação.

Certamente, houve, no mínimo, grave erro de cálculos para que a construção ultrapassasse tanto os valores previstos inicialmente. Entretanto, outros fatores como falta de monitoramento e controle de gastos podem ter contribuído. O mesmo ocorre em relação às operações tapa-buraco. Tivemos o flagrante de empreiteiras fazendo reparos onde o problema sequer existia. Depois, a prefeitura decidiu retomar os serviços justamente no período em que as chuvas são mais intensas em Campo Grande, fazendo com que os consertos não durassem nem duas semanas. Agora, os trabalhos continuam a passos lentos, com investimentos aquém do necessário, enquanto crateras tomam conta de ruas em praticamente todos os bairros da cidade. Até agora, não aprenderam com os erros e nem encontraram soluções plausíveis para tentar acabar com esse claro desperdício de dinheiro público.

Por fim, rememora-se aqui o episódio do sumiço de vacinas contra gripe e a suspeita de que as doses poderiam estar sendo vendidas a R$ 40, conforme denúncia recebida pela Câmara de Vereadores. As investigações continuam, mas, nesse momento, comemora-se o envio pelo Ministério da Saúde de mais 20 mil doses para Mato Grosso do Sul. Destas, 5 mil serão destinadas a Campo Grande. Agora, espera-se que os critérios estabelecidos sejam respeitados e que as graves falhas de fiscalização não se repitam. O histórico de erros continua a ser repetido pelo poder público em diversos casos e, por isso, exige-se explicações e cobra-se mais rigor para que a população não acabe penalizada, mais uma vez. 

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