Ontem, o prefeito disse que os valores estavam atrasados em razão de questões burocráticas, mas hoje detalhou o problema.
“Os recursos para prestadores de serviço, como é o caso do São Julião, foram usados pela administração anterior para cobrir folha de pagamento. É recurso direto, vamos ter que ver outro mecanismo ou da fonte do tesouro. Veremos qual será o procedimento”, disse Trad.
Nesta manhã, diretores do São Julião se reuniram com secretário de saúde e com o prefeito para que a situação fosse discutida. Os diretores apresentaram para a prefeitura a situação financeira da unidade, que pela primeira vez vai atrasar os salários dos funcionários.
PROBLEMA
Enquanto a data para o pagamento não é definida, a direção do São Julião estuda medidas para reduzir custos, conforme explica o diretor da unidade, Amilton Fernandes Alvarenga. “Não recebemos nada no mês de janeiro. Não pagamos fornecedores e já estamos pensando em reduzir atendimentos”, adiantou.
Ele ressaltou que o problema não está relacionado exclusivamente a esta demora da prefeitura em transferir o dinheiro para a conta do hospital.
Isto porque, desde junho do ano passado, o hospital trabalha com déficit mensal de R$ 250 mil. Quando há atraso em qualquer repasse, a negociação com os credores se agrava.
Dentre as alternativas cogitadas pelo diretor do hospital, a diminuição de 300 consultas oftalmológicas por mês, fechamento de 20 leitos e redução de 20% do pessoal. “Ao longo do tempo, o São Julião vem realizando mais atendimentos que o contratado, mas a crise pegou todo mundo e estamos absolutamente sem dinheiro”, lamentou ele, ressaltando que o contrato com a Prefeitura continuará sendo cumprido.
Situação semelhante é enfrentada pela direção da Santa Casa. O diretor-presidente da Associação Beneficente Campo Grande (ABCG), gestora do hospital, Esacheu Cipriano Nascimento informou que a preocupação maior é com pagamento da folha de funcionários para evitar paralisações.
De acordo com Esacheu, o repasse da União, Governo do Estado, e Prefeitura gira em torno de R$ 20 milhões, sendo R$ 13 milhões destinados ao pagamento de funcionários e impostos.
A reportagem também tentou contato com a maternidade Cândido Mariano, hospitais Nosso Lar, do Câncer e Universitário para ter mais detalhes sobre os repasses.
O diretor do Hospital de Câncer, Carlos Coimbra informou já ter recebido todo o recurso do Fundo Nacional de Saúde que estava pendente. Isto porque ele entrou na Justiça para garantir o recurso.




