Quem vai ficar para apagar a luz?

A notícia de hoje é a coleção de carrinhos do ex-presidente Collor, apreendida pela Polícia Federal na Casa da Dinda. São mais de R$ 5 milhões em “brinquedinhos” do “caçador de marajás”. Mas, convenhamos, já não tenho nem mais opinião sobre a Operação Lava-Jato. Só quero saber quem vai apagar a luz na hora que tudo acabar. Sim, pois não vai sobrar nada. A corrupção não foi inventada pelo PT e não é exclusividade brasileira, vide a investigação na FIFA. Mas, por que os carrinhos do Collor são emblemáticos? Pois é uma mostra de como o patrimônio dos nossos políticos não é compatível com os seus vencimentos, salvo raras excessões.

Existem dois tipos de políticos:

Os políticos-ostentação – Aqueles que querem mostrar o fruto do “trabalho duro” comprando casas espetaculosas, carros top de linha e novas esposas com o que há de mais moderno em implantes de silicone. Eles estão “obrando e andando” para quem juntar dois mais dois e descobrir que, com salário de uns quatro dígitos, não se consegue juntar um patrimônio de milhões;

Os políticos sócios de todo mundo – São aqueles cujo patrimônio condiz com os vencimentos ao longo dos anos. No entanto, corre a lenda de que são donos (através de um verdadeiro laranjal) de concessionárias, construtoras, edifícios, escolas e por aí vai. Difícil é provar isso, mas aí já é com a PF.

Eu fico espantado com aqueles que se dizem “horrorizados” com a corrupção. Como assim? Sem hipocrisia, os 10% (que, últimamente, se transformaram em 30%) são uma instituição pública no Brasil. Tente vender algo para algum poder público (aí estamos falando de todas as esferas) sem passar pelas conversas de que “já é de cartas marcadas”. Isso estamos falando de produtos e serviços. Tente descobrir quem fornece comida para as escolas. Veja se não é uma empresa montada exclusivamente para licitações. Tente desenrolar o embróglio que são as licitações para a contratação de agências de publicidade. Tente entender a liberação de propaganda pública para os meios de comunicação. Aliás, muitos prefeitos, de má-fé, criaram boletins oficiais dos municípios para não ter que publicar editais nos veículos de comunicação, enfraquecendo-os.

Mas, vamos descer mais um pouco. Quantos síndicos deste Brasil (ou empresas que administram condomínios) já não receberam (ou pediram) “presentinhos” para fechar o orçamento com uma determinada casa de material de construção? Sim, porque quase ninguém vai às reuniões de condomínio para fiscalizar.

A corrupção no Brasil é uma herança, assim como o racismo. Há 200 anos, um átimo de tempo, éramos uma colônia de um reino falido (de Portugal) cujo monarca trocava títulos reais por benesses financeiras. Assim, donos de padaria viraram duques; donos de estribaria viraram condes e a lei da mais valia tomou conta. E o que dizer os cartórios que eram feudos, deixados de pai para filho? Manda quem pode e obedece quem tem juízo. Aí nasceu o país do jeitinho. E vai ser difícil de mudar. Mas, parece que ac coisa está mudando. Ou você imaginava ver os carros milionários de Collor sendo levados pela polícia? Eu não!

Marco Antônio dos Santos Araújo (ou Marco ASA) é jornalista, publicitário e escritor. Contatos pelo e-mail [email protected]

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