Pura enganação – “Obra Retomada” continuam paradas

A visão limitada e o despreparo de gestores resulta em desperdício de dinheiro público, com investimentos que não surtem efeito prático à população. Recursos são aplicados na construção de novos prédios para unidades de saúde e Centros de Educação Infantil (Ceinfs), mas não há verba suficiente para contratar funcionários para trabalharem nessas unidades. Ou seja, nada altera no atendimento à comunidade.

Os gestores caem intencionalmente no “golpe” do Governo Federal e até aproveitam para apropriarem-se da benesse político-eleitoreira de mostrar à população a inauguração de novas obras. Os moradores recebem o “presente de grego”: um prédio novo, bonito, pago com verba dos impostos dos contribuintes, mas sem trazer melhorias. É o que acontece, nesse momento, com obras inauguradas, apenas simbolicamente, em Campo Grande.

Em maio, o prefeito da Capital, Alcides Bernal, anunciou a retomada de 44 obras, com investimentos de R$ 45 milhões. Muitas construções estavam paradas há quase três anos, mas só agora, perto das eleições, voltaram a ser executadas. O prefeito correu para promover solenidades de inaugurações antes do encerramento do prazo tolerado pela lei eleitoral. Entretanto, não há qualquer previsão para iniciar o atendimento em locais, como a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Santa Mônica. Também pela legislação eleitoral, há impedimento para nomeações nesse período.

Faltou planejamento para que os postos de saúde fossem efetivamente entregues e não passassem de mera ilusão aos moradores que apelam por melhorias na rede pública de saúde.

A única alternativa seria remanejar servidores de outros postos, fazendo novamente a “transferência de problemas”, a exemplo do que ocorreu com a mudança do Centro Regional de Saúde do Guanandy para a UPA do Leblon. Prédio novo, bonito, mas nada de melhoria no atendimento. Fica evidente a visão limitada dos gestores. Primeiro do Governo Federal, que disponibiliza recursos para construção de unidades de saúde, mas não oferece subsídios suficientes para que prefeitos consigam manter atendimento de qualidade nesses espaços. Depois, o despreparo decorre dos próprios gestores municipais, que elaboram projetos, dão contrapartida financeira e inauguram prédios sem ter a previsibilidade orçamentária para, ao menos, contratar profissionais.

Seria muito mais proveitoso usar as verbas da construção para comprar equipamentos, contratar mais médicos e outros profissionais da saúde ou simplesmente não deixar faltar medicamentos, como vem acontecendo em Campo Grande. Vivemos hoje as consequências de administrações equivocadas, que anunciam “verbas carimbadas”, voltadas para tentar mostrar serviço, sem focar nas verdadeiras necessidades dos moradores.

A população está atenta e sabe quando o dinheiro público vem sendo desperdiçado ou quando gestores promovem inaugurações fraudulentas para tentar convencer eleitores. Tais ações acabam tornando-se “tiro no pé”, pois os prédios públicos ociosos tornam-se símbolos do descaso. Enfim, a população sabe que ali, naquela obra paralisada, há seu dinheiro investido e, infelizmente, desperdiçado. 

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