Projeto habitacional de Bernal: “Estamos sem ônibus, sem escola para as crianças, sem trabalho”.

Aproveitando as atividades da 7ª edição da Câmara Comunitária realizada na manhã desta quarta-feira (11) no bairro Vila Nasser, os vereadores foram conhecer ‘in loco’ as condições dos moradores do Loteamento Bom Retiro, que foram removidos da favela Cidade de Deus e colocados na região.
 
O local abriga mais de 100 famílias que estão vivendo sem as condições mínimas de moradia, em meio ao barro, sem iluminação pública, sem transporte coletivo, sem escola para as crianças e sem posto de saúde.
 
Diante da triste realidade encontrada, os parlamentares decidiram realizar uma audiência pública na Casa de Leis, ainda sem data definida, para debater junto com o Poder Executivo e as secretarias municipais competentes uma solução definitiva para essas famílias.
 
Segundo a moradora Inês Correa, de 48 anos que há 3 anos morava na Cidade Deus, “fomos jogados aqui. Estamos sofrendo com o abandono total aqui. Ninguém da Prefeitura vem aqui resolver nada. Estamos sem ônibus, sem escola para as crianças, sem trabalho. Sofremos muito preconceito. Tiraram a gente de uma favela e fizeram outra favela. Ontem alagou tudo aqui, entra água por cima, por baixo, tem gente dormindo no chão batido, porque o colchão molhou tudo. Precisamos que as luzes dos postes fiquem acesas durante a noite toda. Ficamos aqui na escuridão”, desabafou.
 
Indignado com a situação vivida nos últimos meses após a remoção, o morador Adroaldo Correa Amolinar fez um apelo: “queremos uma moradia digna. Tem criança desnutrida aqui passando fome. Ficamos dias comendo só arroz e ovo. Não queremos nada de graça, queremos uma casa e vamos pagar por ela, mas é preciso que resolvam esse problema. Porque não construíram as casas e depois trouxeram a gente pra cá? No Cidade de Deus tínhamos trabalho, estávamos bem localizados, aqui não, estamos largados aqui”, destacou.
 
Durante a visita dos vereadores Alex do PT, Chocolate e Prof. João Rocha, o diretor-presidente da EMHA (Agência Municipal de Habitação), Dirceu Peters apareceu no local e se comprometeu a discutir com os parlamentares uma solução para melhorar a condição de vida dessas famílias mal alojadas.
 
De acordo com o presidente da Casa de Leis, vereador Prof. João Rocha “o povo quer saber de resolver seus problemas. Aqui é pra ontem, precisa de urgência. Tem que parar de picuinha e se entender para resolver o problema. Este é um problema que tem que estar na vista de todos. Temos que achar uma solução para melhorar essa situação o mais rápido possível. A Câmara não pode executar nada, mas pode criar ferramentas e mecanismos para ajudar o Executivo”, disse.
 
O vereador Alex do PT afirmou que “é importante debater oficialmente com o Executivo, em uma Audiência Pública, reunindo os moradores para que eles possam passar para a Prefeitura as condições que eles estão vivendo. Vamos buscar a melhor solução, para que essas famílias tenham toda dignidade de moradia”, afirmou.
 
Já o vereador Chocolate lamentou que Campo Grande voltou a ter favelas. “Chegamos a ser uma cidade sem favelas e agora o próprio prefeito cria uma favela para transferir essas famílias. Tiraram de uma favela e criaram outra. Porque ele não construiu as casas primeiro e depois fez a remoção? Lá no Cidade de Deus os moradores já tinham sua vida, seu trabalho, as crianças tinham vaga na escola. Aqui eles não tem nada”, afirmou.
 
Paulline Carrilho

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