“Presente melancólico” – nada a comemorar no aniversário de Campo Grande

Há pouco mais de uma semana para comemoração dos 117 anos de Campo Grande, a cidade ainda vive a melancólica realidade de estagnação iniciada após a eleição em 2012. No lugar de projetos de melhorias em áreas críticas, como Saúde e Educação, o que a população vivenciou foi sucessão de escândalos políticos e desavenças entre Executivo e Legislativo. Em pouquíssimo tempo, a cidade passou de oásis de prosperidade diretamente para cenário caótico que ainda deve perdurar por algum tempo até que o próximo gestor consiga arrumar a casa.

Às vésperas do aniversário da cidade, em 2015, duas decisões judiciais provocaram drástica mudança na política da Capital: o Tribunal de Justiça  de Mato Grossodo Sul determinou a saída de Gilmar Olarte da prefeitura e, no julgamento de outro recurso, o retorno de Alcides Bernal ao cargo, por força de liminar. A administração já caminhava de forma claudicante na primeira fase de Bernal, antes da destituição e, infelizmente, manteve-se durante a “era Olarte”.

O retorno ao posto não  trouxe mudanças positivas para a cidade. A relação com o Legislativo não teve qualquer evolução. Projetos travaram na Câmara de Vereadores e os parlamentares foram diretamente afetados pela suspeita de participação no esquema de compra e venda de votos na cassação de Bernal. Mesmo que a acusação seja inócua, o estrago no período legislativo foi inevitável.

 Para qualquer gestor experiente, a administração já seria desafio, em decorrência da crise econômica nacional, mas ganha proporções hercúleas nas mãos da inexperiência e da  falta de  traquejo  político. 

Essa dificuldade é perceptível nos índices do Município, como a inflação, que fechou 2015 em 9,96%, segundo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficando um pouco abaixo do percentual no país, de 10,67%.

A inadimplência na Capital ultrapassou os 24% no ano passado. No primeiro trimeste de 2016, o desemprego atingiu 7,4%, aumento de 42% em relação a igual período de 2015. A recessão empurrou famílias para barracos construídos às margens de rodovias, pessoas que não conseguiram arcar com as despesas como aluguel e contas de água e luz.

A população de Campo Grande está pagando caro pelas equivocadas administrações. O resultado pode ser visto pela cidade: vias tomadas por verdadeiras crateras, obras com recursos federais garantidos estão abandonadas pois falta a contrapartida municipal obrigatória para terminar as construções. Pelo menos cinco praças e centros de lazer são apenas esqueletos de projetos  que deveriam  estar servindo a população.

O reajuste dos servidores é pendência judicial sem solução a curto prazo. A grande tarefa para o próximo gestor, em primeiro momento, é tentar minimizar os estragos causados na administração. A retomada do desenvolvimento depende de fatores que envolvem o crescimento dos índices econômicos do País, mas, também, equilíbrio do administrador, equipe experiente e relação racional com o Legislativo para que os projetos em benefício à população tenham andamento, independentemente do viés político. Tudo que não foi visto até agora.

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