PM salva criança durante ronda de trânsito e plantão

Podia ter sido mais um dia comum de trabalho, em meio às ocorrências “normais” e o cansaço de quase 24 horas no batente, mas, o fim do sábado (18), para o cabo Fabio Krauss, terminou com pelo menos dois sentimentos: o de dever cumprido e uma sensação “indescritível”. Diferente de sua rotina comum, Fabio teve a oportunidade, como ele mesmo fala, de salvar a vida de alguém.

Quase no fim do dia, às 23 horas, o policial atendia uma ocorrência de acidente de trânsito, na Avenida Lúdio Coelho com a Rua Antonio João, quando um carro parou. Do veículo, saiu uma mãe desesperada porque seu bebê de sete meses estava convulsionando. “Corri para ver o que era e a criança no colo da mãe convulsionava, estava bem crítico”, relatou.

Sua reação foi segurar o bebê. Não pensou duas vezes, o lado humano prevaleceu e ele deixou tudo: ocorrência, motoristas dos dois carros envolvidos no acidente, documentos, etc. Entrou na viatura da polícia a procura de um posto de saúde mais próximo. “A criança apagava. Me desesperei, mas precisava me manter calmo. Comecei a procurar ajuda do Corpo de Bombeiros pelo rádio”.

Do ponto onde tudo começou até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Leblon, onde o menino foi atendido, leva-se pouco mais de cinco minutos de carro. Mas, para Fábio, a sensação ontem foi que passou pelo menos uma hora. Na sua cabeça, o tempo foi registrado de maneira diferente. “Eu sentia que podia perder ele, pensei nos meus filhos. O instinto de pai toma conta”, relata sem conter a emoção ao relembrar aquele momento.

Para que a chegada até a unidade fosse possível, o soldado Heberson, motorista de Fabio naquela viatura, foi essencial. O policial conta que a paciência dele foi um ingrediente para fazer com que a ação desse certo.

Ainda dentro do carro, o policial recebeu orientações do Corpo de Bombeiros, que dizia a ele laterizar a cabeça do menino e desobstruir a via aérea. Ao entrar na UPA, Fabio levou a criança, que já estava recobrando a consciência, para atendimento de enfermeiros e médicos. Nesta hora veio o alívio e, com ele, a emoção reprimida. “Eu ouvi o choro dele, que foi o sinal de vida. Não aguentei. Sai de dentro da unidade, encostei na ambulância, aí chorei”.

Em 12 anos no exercício da profissão, este foi o momento mais emocionante, ele conta. “Senti a presença de Deus. A gente é impotente. Esse foi o momento que mais me comoveu em todo tempo de trabalho”.

O dia que era para ser “comum” – e o comum na vida do profissional que atende, na maioria, acidentes de trânsito, não é nada leve -, terminou completamente diferente do que começou. Sua primeira tarefa de ontem foi uma ocorrência registrada de um possível atropelamento, inicialmente, mas, na verdade, tratava-se de um homicídio. “Não é nada agradável ver isso. A gente trabalha, é profissional, mas não é nada fácil lidar com isso”.

Salvar aquela criança foi uma maneira de mostrar a ele que, embora muitas vezes a rotina seja difícil, há momentos que fazem valer a pena. “É tenso, é gratificante. Não tem como explicar, é só viver para entender. O que não pude fazer de manhã, pude fazer a noite. A sensação é inexplicável e indescritível”.

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