Pescador constrói barraco em pilastra para morar em frente ao Pão de Açúcar

Colocando em uma lata oito mariscos, o pescador Amilton Cunha, de 40 anos, começa a preparar o seu café da manhã:

— Vai um marisquinho aí? — pergunta Amilton. — Já são 10h, né! É neste horário que acordo e começo a sentir fome.

Morando há 20 anos no Rio, o pescador deixou as ruas de Copacabana no início deste mês e perambulou pela cidade atrás de um novo local para ficar. Enquanto caminhava pela ciclovia do Aterro do Flamengo, na Zona Sul, notou um pilar de concreto na água. Segundo ele, o lugar perfeito para sustentar a nova residência. Utilizando uma chapa de ferro de três metros de comprimento, papelão e uma lona, ele montou a nova casa uma amarrada a uma pilastra. Enquanto explica a montagem, ele agarra a estrutura e começa a balançar mostrando que está bem firme.

— Em uma tarde montei minha casa — diz orgulhoso, colando a mão na cintura. — Aqui é tranquilo e fico de frente para um cartão postal.

Amilton nasceu há 40 anos em Bacuri, interior do Maranhão. Veio para o Rio para trabalhar em navios pesqueiros. Segundo ele, até 2012 tinha emprego e ganhava R$ 5 mil. Chegou a alugar apartamentos em Icaraí, em Niterói, e em Copacabana, mas foi demitido e não conseguiu mais pagar aluguel.

— Bebia muito e só queria frequentar prostíbulos. Assim começou minha decadência. Poderia ter comprado uma casa, mas não tive cabeça. Mas, minha situação é provisória. Estou decidido a voltar a trabalhar. Só preciso tirar documentos que perdi no mês passado. Hoje a tarde, vou pegar meu patinete e tentar resolver isso.

Construído por ele, Amilton se desloca pela cidade utilizando um patinete. Depois do café, ele costuma utilizar o brinquedo de duas rodas e vai buscar ajuda de pessoas para poder almoçar e jantar. Só volta para casa quando começa a sentir sono.

Antes de dormir ele diz que gosta de tomar banho para relaxar — sem molhar o cabelo. Com o sal, as madeixas ficam secas, obrigando ele a comprar xampu para desembaraçar os fios. Tanta preocupação com a aparência, lembra ele, é pelos pedestres que passam pelo local e pedem para tirar uma foto.

— É por isso que sempre tenho um pente por perto. Já pensou aparecer em fotografia com o cabelo todo bagunçado na frente de um cartão postal?

A Secretaria de Ordem Pública informou que vai enviar agentes ao local para fazer a remoção da cabana. O morador de rua receberá apoio da Secretaria de Assistência Social.

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