Nunca desenvolva uma ação durante a raiva. Relaxe, respire, controle-se

Um motorista irado saca de sua pistola e mata uma criança. Um assaltante esfaqueia o rapaz que não tinha dinheiro. São casos comuns de raiva devastadora. Também existem os acessos de raiva de cunho político – os atos terroristas estão recobertos de raiva. E para desconsolo de muitos, xingar governantes por seus erros e mal feitos entram no mesmo cotejamento. O fato é que, em variados níveis, a raiva pode ser devastadora. Isso nos leva a considerar a importância de conseguir alguma regulação de seus picos mais sombrios. Em última instância, controlar a raiva constituiu necessidade vital para a sobrevivência do humano (imagine o apertar de botões que disparam as bombas atômicas).

Como é possível regular as próprias emoções é uma questão que há muito tempo vem provocando dor de cabeça nos estudiosos. O conceito de recalque, o de que sentimentos muito dolorosos ficam exilados em nosso inconsciente foi introduzido por Freud. Mas a energia própria das nossas raivas precisa de escape – como numa panela de pressão – e acaba se manifestando na forma de sintomas que aparecem como perturbações mentais e físicas. Essas ideias dominam o Ocidente, apesar de não serem aceitas por muitos por um motivo muito simples – quando os cientistas a levaram à experimentação, elas não se sustentaram, caíram por terra.

Ao que tudo indica há um forte componente social no controle da raiva. Monges que praticam a meditação são um bom exemplo dessa capacidade de controle. E tem mais novidade na área – outras culturas recentemente estudadas estão demonstrando que o controle da raiva pode ser aprendido em sociedade. Entre um grupo de inuits (esquimós) chamados de "utkus", os conflitos são uma raridade. A manifestação de emoções negativas, como irritação e raiva, é extremamente malvista. Até mesmo os bebês eram ignorados pelos utkus quando começavam a berrar. Adultos que, furiosos, levantassem a voz eram tidos ou por idiotas ou um perigo para a comunidade. As pesquisas mais recentes estão corroborando essa hipótese de que os valores e as concepções culturais contribuem para moldar o controle da raiva.

Comparem, por exemplo, as posturas dos brasileiros e japoneses com as emoções. Os padrões asiáticos determinam ao indivíduo um controle emocional mais rígido do que os brasileiros assumem. Os brasileiros são como os demais ocidentais, avaliam negativamente o controle dos próprios sentimentos. Enxergam esse controle como um engodo, uma dissimulação. Muitos ainda acreditam na antiga hipótese de que esse controle causa doenças físicas. Os japoneses, por sua vez, são de opinião diferente. Para eles, um estado de espírito equilibrado é sinal tanto de saúde física e mental como de contentamento. Entenda o controle da raiva como for, mas basta um pequeno exercício para se acalmar: respire profundamente, repita calmamente a palavra "relaxe", visualize um lugar relaxante na natureza, tome um copo de água, amarre os sapatos, conte até dez, lave o rosto com água fria, fale baixo, evite palavras como "nunca mais". Só há um nunca que é aceitável – o "nunca na raiva". Nunca desenvolva uma ação durante a raiva. É fácil.

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