O bairro Nova Campo Grande, afastado da região central da Capital sul-mato-grossense, parece ter sido completamente abandonado pela administração municipal. Em meio ao matagal que parece mais abrangente que as casas, e à ruas de terra esburacadas e formadas por “lagoas” de água parada, o que o local mostra é a ausência de serviços públicos.
A Rua 90, umas das mais prejudicadas do bairro, é um lugar onde os moradores alegam sentirem-se completamente abandonados. Adriana de Oliveira tem 23 anos, mora com o marido e a filha, de 4 anos, e afirma nunca ter visto nenhum maquinário ou serviço da prefeitura comparecer ao local para realizar reformas.
“Sempre esteve assim. Tem a associação dos moradores que tenta cobrar, mas continua assim”, contou ela. Adriana também explicou que a situação só piora com a chuvas, além do matagal em frente a casa que cresce, e as ruas de terra que alagam, as duas fossas da casa dela também estão completamente cheias.
“Eu assustei com o tanto de insetos que está enchendo em casa, aranhas e outros venenosos, tenho medo pela minha filha. Até o caminhão da Solurb já atolou aqui. A limpeza do mato nós mesmos temos que pagar”.
Os moradores também informaram que, apesar de todo o movimento político de combate à dengue, nenhum agente de saúde ou responsável pela fiscalização dos bairros comparece ao Nova Campo Grande.
Acessibilidade e segurança
O bairro, como muitos locais periféricos de Campo Grande, deixa a impressão de que a estrutura é levada somente pela especulação imobiliária, que expande o lugar, mas que valoriza uma região que não recebe auxílio da administração municipal. Diversas casas novas, à venda e para aluguel podem ser vistas na região.
Além dos problemas visíveis de limpeza e do perigo da dengue com as poças de água e mato crescendo, a segurança e acessibilidade são ausentes no local. Gilvan Pereira tem um pequeno comércio na Rua 90 há cerca de seis meses. Ele não tem uma das pernas e caminha com o auxílio de muletas. “Acessibilidade aqui não existe, não. Às vezes vou tomar um tereré ali no vizinho e corro o risco de cair diversas vezes, contou”.
É o mesmo problema do casal de idosos Nadir e Egir, que têm 77 e 78 anos, respectivamente. Os dois moram na mesma casa há 20 anos, e na opinião deles, não há prefeito que tenha se lembrado do bairro. Nadir e Edir compram alimentos em um mercado distante da casa onde moram, e têm que irem e voltarem a pé, carregando as compras nas ruas precárias. “Hoje mesmo fomos longe no mercado pra fazer compras, é um sofrimento”, contou Nadir. “Foi sempre ruim, nunca melhora”.
“Nosso prefeito não está com nada não”, riu Egir, enquanto tomava tereré no quintal da casal. Ele explicou que a administração municipal prometeu asfaltar o bairro em 2015, mas nada foi realizado. “Nosso terreiro não seca mais, mosquito tem muito. A bem dizer, esse bairro está abandonado”, admitiu o casal de idosos.
Atividades comerciais como a de Gilvan também são prejudicadas pela estrutura do lugar. Ele explicou que caminhões e veículos de fornecedores atolam nas ruas e outros têm dificuldade de chegar ao bairro. “Falam que vai esperar a chuva passar para arrumar mas cadê, que nunca vem?”, questionou. “Pelo menos uma máquina tinha que passa aqui para arrumar”.
Para “fechar” o pacote de abandono do bairro, segurança é outra palavra quase desconhecida por ali. Polícia, de acordo com os moradores, só passa quando há alguma crime, e “olhe lá”. “Nunca vejo, só no dia que levaram tudo da casa do vizinho, porque nunca passam aqui”.
“Assaltaram duas casas aqui ao lado esses dias. A falta de segurança está grande”, contou Gilvan, que fecha o comércio antes das 20h por medo de assaltos.
Fonte: http://www.topmidianews.com.br/cidades/noticia/nova-campo-grande-e-abandonada-em-meio-ao-mato-e-ruas-de-terra




