Muro da gentileza se multiplica e ajuda população

A ideia de 'fazer o bem sem olhar a quem' deu certo e se multiplicou pelas ruas da Capital, ajudando aqueles que passam dificuldades diariamente. O muro da gentileza, que nasceu na frente da Pestalozzi, através de uma junção de ideias entre o professor de artes Pablo de Oliveira e a diretoria da associação.

"Uma pessoa da diretoria viu pelo Facebook que isso aconteceu no Irã para atender os sem tetos, achou interessante e trouxe. Lá envolvemos alunos, fizemos uma grande festa e nasceu o muro da gentileza. Nasceu no dia 14 de junho, com desenhos dos alunos, envolvendo os funcionários. Precisava cuidar do muro e precisávamos envolver as mães. Como elas ficam esperando os filhos saírem durante três, quatro horas, algumas se prontificaram em ser voluntárias do muro da gentileza", explica o professor.

Pablo destaca que como a ideia cresceu, levando em consideração que pessoas de bairros distantes estariam procurando a ajuda do muro, decidiu expandir a ideia. "As mães responsáveis por cuidar do muro perceberam que com apoio da mídia, vinha pessoas dos bairros pegar roupa no local. Algumas testemunharam que tinham dificuldades para ir até a frente da Pestalozzi e tiveram  a ideia de espalhar isso nos bairros".

Durante as férias de julho, o professor conseguiu pintar alguns muros nos bairros, ajudando os menos favorecidos. "Eu tive a idea junto com elas de nas férias fazer, pintei um e as pessoas foram ligando. Agora temos quase dez muros praticamente. O primeiro foi no centro com a Pestalozzi, depois Octávio Pécora, Mata do Jacinto, Vila Nâsser, Nossa Senhora das Graças, Colibri II, Portal da Lagoa e agora aqui na praça do Imigrante".

De acordo com o artista plástico, o objetivo é construir outros 100 muros em Campo Grande, com a ajuda da população. "As pessoas sempre estão levanto roupas, calçados. Queremos fazer 100 muros em toda a cidade, porque aqui é conhecida como Capital Morena, Capital dos Ypês, daí pensamos porque não ser considerada também a Capital da gentileza e olha que nós precisamos de gentileza no dia a dia. Fizemos as contas meio por cima e essa quantidade de muro vai dar um valor equivalente a R$ 16 mil só de material, tinta, materiais.

Estamos montando uma comissão para traçar estratégias para captar recurso, fazer uma festa, ver parcerias, porque eu não dou conta de fazer isso sozinho. Eu contribuo com a mão de obra e agora precisamos disso, se alguém puder ajudar, contribuir ocm a gente, qualquer doação é bem vinda. As vezes a pessoa comprou tinta e sobrou meia lata, se deixar guardada vai estragar com o tempo, então doa pra gente que vamos fazer um bom uso dela. ".

O professor ressalta que a sociedade necessita de mais gentileza no dia a dia e se orgulho ao lembrar  que o muro da gentileza tirou pessoas de estados de depressão. "Precisamos de gentileza no trânsito, com os colegas de trabalho, em qualquer ambiente precisamos disse e faz bem.

Algumas senhoras enxergam o muro como saúde, uma senhora veio me agradecer dizendo que não tem mais tempo para depressão, o muro tirou ela dessa depressão. Porque a dona do muro pediu para ela cuidar, ela pega, combina as roupas, ela recebe as roupas, ela conversa com as pessoas, ela saiu de casa e agora está envolvida no projeto. Teve outra pessoa no Colibri II que disse que queria envolver uma cadeirante no projeto e uma filha depressiva, então percebi que o muro além de ser  a gentileza material do desapego, tem a questão emocional do respeito e da criatividade".

Diante disso, o artista resolveu dedicar meio período do dia para se dedicar ao trabalho voluntário. "Agora abri meio período do meu tempo só para fazer isso, sou natural de Aquidauana, tenho quase 40 anos de moradia em Campo Grande, que me abraçou, me acolheu, cresci aqui, tive filhos aqui e é uma forma de agradecer a Capital".

Segundo Pablo, o mês de setembro promete novidade para alegrar a sociedade. "Em setembro tem novidade ai, é o mês da primavera e será a estação da gentileza. Vamos fazer desfile de moda. Como já temos dez muros, vamos convidar um casal de cada bairro, as melhores roupas eles devem separar e vamos fazer um desfile provavelmente na Pestalozzi. O projeto começou por lá, então vamos colocar um palco, uma passarela, já temos quem vai fazer maquiagem, vamos homenagear Campo Grande a partir da gentileza das pessoas".

Sorridente ao lado do último trabalho feito na praça dos Imigrantes, Pablo afirma que acredita que o projeto no centro da Capital deve beneficiar diversas pessoas. "Uma das artesãs disse que tem espaço na praça que da para fazer o muro, com a ideia de convidar a população a vir fazer as doações e conhecer o trabalho dos artesões, temos belíssimos trabalhos dos artesanatos, fica mais um ponto atrativo e na praça sempre encontramos pessoas que precisam de roupas".
 
Para colaborar com o muro da gentileza basta entrar em contato com o professor Pablo através do 67-98145-6908.

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