Mulher diz que vai à  Justiça após tirar roupa ao ser barrada em banco

A empresária Zenilda Duarte Paulino, de 52 anos, que tirou a roupa após ser barrada em uma agência bancária em Aquidauana, distante 131 quilômetros de Campo Grande, decidiu recorrer à Justiça após ver a "cara de ironia do funcionário" quando a porta giratória travou cinco vezes na segunda-feira (17).

“Vou buscar meus direitos pelo constrangimento, pelo que o funcionário ironizou do meu grito de desespero. Vou recorrer à Justiça sim. Com certeza, muitas pessoas vão começar a fazer isso também”, afirmou ao G1.

Zenilda garantiu que não se arrepender da atitude. “Não me arrependo, só tenho vergonha pelos meus filhos. Mas se é lei [ato obsceno] vou arcar com as consequências”, enfatizou.

Em nota, o Banco do Brasil informou que “lamenta o ocorrido e esclarece que os funcionários recebem treinamento para prestar atendimento sempre respeitoso aos clientes. A cliente recebeu os esclarecimentos necessários a respeito da situação e foi atendida por gerente da agência”.

A assessoria afirmou ainda que cumpre as regras de segurança estabelecidas pela Lei 7.102/83 e Portaria 387/2006 do plano de segurança, que inclui a utilização de porta giratória detectora de metais, aprovado pela Polícia Federal.

Zenilda contou que foi tirando os objetos de metais enquanto estava na fila, pouco antes da agência abrir. Ela tentou entrar três vezes e, a cada bloqueio da porta, tirava algo da bolsa. Na terceira vez, procurou um funcionário da agência que viu tudo que estava na bolsa e deduziu que a porta estivesse travando por causa de uma embalagem de lenço umedecido que tem material metálico.

A empresária relatou que tirou a embalagem da bolsa e, mesmo assim, a porta travou mais duas vezes. De acordo com ela, na quinta vez que tentava entrar, um funcionário teria dito: “Você deve ter alguma coisa ainda”. Indignada e com a bolsa revirada, ela jogou os pertences no chão e começou a se despir, ficando apenas de peças íntimas.

Funcionários acionaram a polícia e quatro policiais militares foram até a agência. Conforme Zenilda, só nesta hora que o gerente e outra funcionária foram falar com ela. “Os policiais foram muito gentis comigo. Pediram para me vestir e ir até o caixa fazer o que precisava. Fui lá descontar dois cheques um de R$ 485 e outro de R$ 1.500 e pouco, que estava sem fundo”, disse.

Os policiais a encaminharam para a delegacia para prestar esclarecimentos. Foi aberto um procedimento de menor potencial ofensivo e, depois de duas horas, ela foi liberada. Zenilda vai responder por ato obsceno.

"Estava tão nervosa que não conseguia nem pilotar a moto. Um policial levou para mim até a delegacia", afirmou a empresária.

Procedimento
De acordo com o delegado Mário Donizete Ferraz de Queiroz, titular da Delegacia de Polícia deAquidauana, o procedimento aberto será encaminhado ao juizado especializado criminal na próxima semana. Ele vai ouvir os funcionários e pedir a cópia das imagens das câmeras de segurança do banco.

“Como a pena é até um ano de detenção, para agilizar o processo, é encaminhado para o juizado especial. Se for do entendimento do juiz, ele provavelmente transformará em pena alternativa como pagamento de cesta básica”, pontuou o delegado.

Queiroz é delegado há 16 anos e assumiu a chefia da delegacia na cidade em 2009. "Nunca tinha visto algo parecido como profissional público", afirmou.

Enquanto Zenilda estava na delegacia, o banco ainda ligou para ela informando que parte do dinheiro dela havia ficado na agência. “O banco reteve meu dinheiro. Saí tão nervosa que nem vi, mas eles me deram R$ 450 dos R$ 485”, disse a empresária.

Repercussão
Desde que desabafou no Facebook, a rede de amizade dela aumentou. Segundo a empresária, ela tinha cerca de 500 amigos virtuais e, em dois dias, o número mais que dobrou na rede social.

Ela mora em Anastácio (MS), que fica ao lado do município onde fica a agência bancária. A cidade tem 23.835 habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010.

“Estou recebendo muitas mensagens. A maioria é de apoio, mas teve gente que me chamou de prostituta. A cada 10 mensagens, uma é crítica”, contou.

No momento de fúria, depois da chegada da polícia, a mulher ouviu comentários quando ia até o caixa. “As pessoas falavam, olha é a Zenilda. Acho que porque a cidade é pequena, ninguém reagiu, ficaram assustados com o que eu fiz”, lembrou. Ela disse que não olhou para a cara de ninguém.

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