“Mais crédito, mais fôlego”

Crédito mais fácil, que gere mais dinheiro circulando é o primeiro passo para aumentar o consumo e, por consequência, reengrenar o País.
Em época de crise, cuja característica marcante é a falta de liquidez na economia, é importante que medidas visando a circulação de dinheiro no mercado sejam tomadas.

Além de fomentar o consumo e aumentar investimentos, se não acabam, pelo menos atenuam os efeitos devastadores da retração.

Em reunião do Conselho Estadual de Investimentos Financiáveis pelo Fundo Constitucional do Financiamento do Centro-Oeste (FCO), agendada para esta semana, será importante que parte dos R$ 400 milhões da linha de crédito prevista na Constituição da República, e que ainda não foram emprestados, seja redirecionada do setor empresarial para o rural.

Não que o setor empresarial não precise de crédito fácil, como é o FCO. Pelo contrário, precisa e muito. Porém, a falta de otimismo e o “pé no chão” gerados pela crise econômica, certamente tem afastado o empresário dos bancos.

O aumento das restrições na hora de contratar o empréstimo, também é um dos fatores que ajudaram a represar pouco menos da metade dos R$ 1,1 bilhão destinados a Mato Grosso do Sul deste ano, via FCO.

Indiretamente, o setor empresarial poderá ser ajudado pela reversão de parte do crédito do FCO para a área rural. O setor do agronegócio vem registrando dois anos seguidos de crescimento em meio a crise econômica.

Impulsionado pelo mercado externo, e pela manutenção do consumo de alimentos, a agricultura e pecuária são as maiores trincheiras de resistência ao tsunami que tem devastado o Brasil nos últimos dois anos.

Se é para ter mais dinheiro circulando no mercado, e fomentar não somente as operações financeiras, mas também o comércio em geral – do de alimentos ao de grandes equipamentos – que seja por meio do setor que tem enfrentado os problemas econômicos com mais vigor.

O que não pode ocorrer é que Mato Grosso do Sul devolva dinheiro que tem direito à União. Faltam pouco mais de 30 dias para o encerramento do prazo para contratação de crédito via FCO deste ano. Como somente R$ 607 milhões dos R$ 1,1 bilhão disponíveis foram aprovados, os recursos correm o risco de voltar à origem.

Para o próximo ano já é sabido que a União colocará a mão em 30% dos recursos arrecadados pelos fundos constitucionais de desenvolvimento das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A medida está prevista na Proposta de Emenda Constitucional da Desvinculação das Receitas da União (DRU), aprovada na última semana.

Entre 2017 e 2020, Mato Grosso do Sul terá disponível um crédito de R$ 5,6 bilhões por meio do FCO.

Deste valor, entretanto, não está subtraído a quantia que a União poderá pegar para ela, para melhorar suas contas. É necessário, portanto, que as autoridades e entidades representantes da indústria, comércio e agronegócio, cobrem melhores condições de crédito para que a economia volte a crescer.

Para que o otimismo volte à economia, é necessário que alguém dê o primeiro passo. Para se sair do buraco, é necessário que alguém estenda a mão. Crédito mais fácil, que gere mais dinheiro circulando (liquidez) é o primeiro passo para aumentar o consumo e, por consequência, reengrenar o Estado e o País.

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