Líder do PMDB anuncia retirada do apoio a MPs do ajuste fiscal

O líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), anunciou nesta terça-feira (5) no plenário daCâmara dos Deputados que o partido não mais apoiará as duas medidas provisórias que restringem acesso a direitos previdenciários, as chamadas MPs do ajuste fiscal.

Segundo Picciani, a decisão é motivada pelo pronunciamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cadeia nacional de rádio e TV, em que o petista criticou a aprovação pelos deputados do projeto de lei que regulamenta contratos de terceirização.

De acordo com o líder do PMDB, governo e PT “posam” de defensores do trabalhador, enquanto pedem que a base aliada aprovem propostas que restringem direitos previdenciários.

O projeto da terceirização foi apoiado pelo PMDB e enfrentou resistência do PT. A avaliação dos parlamentares peemedebistas é de que o partido da presidente Dilma Rousseff precisa assumir uma posição mais enfática de apoio ao ajuste fiscal, para que o ônus da aprovação de uma medida que seria impopular não fique inteiramente para as demais legendas da base aliada.

A votação da MP 664 está marcada para esta quarta (6) às 12h. A Câmara chegou iniciar discussão sobre a matéria, mas o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu, em uma manobra que surpreendeu o PT, inverter a pauta para votar antes da PEC da Bengala, proposta que eleva de 70 para 75 anos a idade para aposentadoria de ministros de tribunais superiores.

“Vamos seguir a orientação do ex-presidente Lula: vamos combater a retirada do direito dos trabalhadores. Diferente do que se apregoa, o projeto da terceirização assegura o direito dos trabalhadores terceirizados. Já a medida provisória 665, não vou dizer que acaba o direito dos trabalhadores, mas flexibiliza o direito dos trabalhadores”, disse Picciani.

O peemedebista destacou que só voltará atrás na posição de retirar o apoio às medidas de ajuste fiscal se for “convencido” pelo governo da necessidade das MPs.

“Nós não votaremos a MP 665 amanhã. Não mais. Até que o PT nos explique o que quer e, se for o caso, feche questão na votação dos ajustes fiscais. Se não for assim, se há dúvida de que  o país precisa do remédio amargo, não vamos empurrar essa conta ao trabalhador”, afirmou.

Após o pronunciamento, Picciani disse, em entrevista, que espera um posicionamento enfático de Lula e da presidente Dilma Rousseff em favor das medidas provisórias. Ele requer ainda que a bancada do PT “feche questão” em favor das propostas. A bancada decidiu apoiar os textos, mas não “fechou questão”, o que no regulamento interno do PT permitiria a punição de deputados que não comprovassem a fidelidade no voto.

“Não seremos nós a fazer esse remédio amargo. Achamos ruim o ajuste, mas achávamos necessário. Com as colocações feitas por Lula, não temos mais certeza. Não dá para [o governo] aparecer posando, dizendo uma coisa, e para nós dizer outra”, criticou o peemedebista.

Líder do governo vai 'dialogar'
Após o anúncio de Picciani, o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), defendeu o ajuste fiscal e disse que vai “dialogar” com a base aliada.

“O governo tem convicção, está seguro de que o ajuste que está sendo votado é necessário e vamos trabalhar para aprová-lo amanhã [quarta, 6]. Aprendi uma coisa na política: calma e tranquilidade, diálogo. Não tem problema ter estresse. Vamos conversar muito daqui para amanhã”, afirmou.

Derrotas do governo
Com o adiamento da votação da medida provisória do ajuste fiscal, a retirada do apoio do PMDB e a aprovação da PEC da Bengala em plenário, o governo sofreu três derrotas consecutivas na Câmara nesta terça.

Durante todo o dia, o Planalto mobilizou esforços para convencer a base aliada, sobretudo o próprio PT, a aprovar as MPs que restringem acesso a direitos previdenciários.

As medidas, conforme cálculo da equipe econômica, garantirão, se mantidas pelo Congresso, uma economia de R$ 18 bilhões aos cofres públicos por ano.

Os ministros da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, e das Comunicações, Ricardo Berzoini, se reuniram com a bancada do PT para pedir apoio.

Após mais de quatro horas de reunião, o partido, que estava muito dividido, decidiu apoiar a proposta, mas não "fechou questão".

O apoio foi considerado "fraco" por peemedebistas ouvidos pelo G1. Segundo Picciani, o entendimento de que o partido de Dilma não assume a linha de frente do ajuste reforçou a decisão de inverter a pauta de votações para analisar antes a PEC da Bengala.

O pronunciamento de Lula no programa de TV do PT, à noite, no qual o ex-presidente atacou o projeto da terceirização, piorou o clima com o PMDB e motivou Picciani a retirar o apoio da legenda às medidas provisórias.

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