“Já foi um sacrifício ela ter se internado no hospital. Tivemos que entrar na Justiça”, explica agente comercial Francisco Simplício, filho de Lurdes. Ele diz que a cirurgia da mãe foi desmarcada quatro vezes, duas delas por falta de material hospitalar. “Numa das vezes, minha mãe já estava em jejum. A enfermeira disse que tinha duas notícias uma boa e outra ruim: a boa era a que ela poderia comer e a ruim era que a cirurgia ia ser desmarcada”, diz.
Deitada por muito tempo no leito, a idosa já havia desenvolvido feridas pelo corpo, conhecidas como escaras. Tantos os incômodos, que Francisco havia procurado a ouvidoria do hospital. Ele garante que foi supreendido ao saber que para o setor a cirurgia de sua mãe já havia sido realizada.
O diretor do hospital, o médico Frederico Augusto de Lima, diz que a unidade fez uma revisão total do prontuário da mulher e que ela era portadora de doença cardíaca com várias comorbidades. Afirmou ainda que a senhora já deu entrada no hospital com pneumonia e negou que a idosa tenha contraído a doença em decorrência de infecção hospitalar. “Temos todos os documentos registrados e se ele tiver alguma suspeição, estou aqui para para tirar as dúvidas. Não fui procurado pela família”, conclui.
Ele nega a informação da falta de material para realizar o procedimento cirúrgico e diz que as condições gerais de saúde da mulher levaram ao óbito. "Infelizmente, uma doença cardíaca acomete 30% da população no mundo e ela (a paciente) não tinha condições de passar por uma cirurgia. No índice de (risco de) mortalidade, o Euroscore, a paciente foi considerada de alta gravidade para este procedimento cirúrgico”, detalha.





