Gaeco apura que André Scaff recebeu R$ 10 milhões em propina

O Ministério Público Estadual concluiu em investigação que André Luis Scaff, e a mulher dele, Karina Ribeiro Mauro Scaff, receberam R$ 10 milhões em propinas. A denúncia, oferecida à Justiça Estadual na segunda-feira (24), detalha os pagamentos que foram feitos por diferentes empresas entre os anos de 2010 e 2015.

Foram R$ 3.183.836,20 depositados nas contas dos dois denunciados por empresários, arquitetos e engenheiros. As quantias, ao longo de cinco anos, variaram entre R$ 680 a R$ 200 mil. As maiores quantias foram depositadas por empreiteiras e empresas de construções.

Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), responsáveis pela apuração, ainda averiguaram que R$ 3.045.325,31 também foram depositados nas contas do casal, mas sem identificação para que o dinheiro fosse rastreado.

O esquema de recebimento de propina foi mais intenso, segundo o Gaeco, em 2013, quando Scaff teve rendimento de mais de R$ 1,338 milhão e os depósitos somaram R$ 3.325.327,69. A somatória dos valores indicados como ilícitos chega a R$ 10.829.413,52.

O MPE também cruzou dados com a Receita Federal para identificar que os informes de imposto de renda e bens declarados estavam incompatíveis com movimentação financeira de André e Karina.

A investigação apontou que as propinas eram pagas para que empresários obtivessem vantagens indevidas pelo fato de André Scaff desempenhar funções de confiança na Câmara Municipal, onde é procurador jurídico.

"Os empresários mantinham contratos com a Administração Municipal, ao assim agirem, compravam facilidades na Câmara Municipal, já que pagavam para ter como seu aliado o denunciado André Luiz Scaff, que por muitos anos exerceu o influente cargo de chefe de gabinete da presidência da Casa", escreveram os promotores do Gaeco na denúncia.

NA JUSTIÇA

O inquérito do MPE denunciou na Justiça Estadual André e Karina Scaff. Os promotores ainda pediram na ação penal que haja o bloqueio de bens no total de R$ 10 milhões do casal.

O processo foi distribuído para a 1ª Vara do Júri, mas o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida declinou da competência e determinou que a ação seja enviada para Vara Criminal de Campo Grande.

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