“Fronteiras abertas”

Os estudos feitos por especialistas em segurança sempre demonstram a fragilidade na região de fronteira do Brasil com Paraguai e Bolívia. Em todos os levantamentos, Mato Grosso do Sul tem negativo papel de destaque, justamente pela vulnerabilidade da fiscalização em estradas vicinais e, pior ainda, nas rodovias em que há pontos fixos de vigilância policial. É cada vez mais evidente a necessidade de se reavaliar o esquema de combate ao crime organizado.

Os números das apreensões feitas este ano no Estado são amostra do poderia dos criminosos. De janeiro a agosto, foram 160 toneladas de maconha apreendidas em território sul-mato-grossense. A conta não inclui as cargas transportadas em veículos com placas de MS que foram confiscadas em outros estados, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo. Estes flagrantes são alerta  e apenas um aspecto de como a fronteira é de suma importância para o funcionamento do crime organizado.

Segundo levantamento da Polícia Federal, 95% do armamento de grosso calibre usado pelas organizações criminosas entram pela fronteira; os outros 5% são obtidos em assaltos a quartéis e empresas de segurança, ou seja, a pesquisa mostra que o poder bélico do crime é sustentado por remessas via Paraguai e Bolívia.

Também é caminho de entrada e saída de criminosos e da remessa ilegal de recursos que mantém o esquema criminoso.  Além de ser rota, tornou-se grande mercado consumidor e, por isso, centralizar forças nos pontos de vendas  é apenas medida paliativa. 

Em entrevista ao Correio do Estado este ano, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Maria Beltrame, havia alertado para a necessidade de melhorar o policiamento na fronteira do País. 

O estrangulamento do narcotráfico precisa começar muito antes, ainda nos canais de entrada usados pelos criminosos. É justamente este o principal problema do sistema de segurança brasileiro. São 14,8 mil quilômetros de extensão fronteiriça, sendo 44% de área seca e 56% de rios, lagos e canais. 

Somente em Mato Grosso do Sul, 12 municípios, com população estimada em 400 mil habitantes dividem faixa com cidades bolivianas ou paraguaias, em área de 1,5 mil quilômetros. É  vastidão territorial muito acima da capacidade das forças policiais, que reivindicam aumento do efetivo e melhorias nos equipamentos utilizados no combate ao crime.  Porém, a longo prazo, dificilmente  a solicitação será atendida, em consequência dos cortes de orçamentos e dificuldade de reequilíbrio nas contas públicas. 

Porém, é preciso traçar estratégias. É urgente que o governo federal  reavalie o esquema de segurança, organizando plano específico para as regiões de fronteira do País. A união de forças das polícias é um expediente  que poderia ser adotado de forma recorrente e não somente em operações especiais realizadas em datas específicas. Não se pode mais ignorar o risco que  País corre enquanto as fronteiras estiverem à mercê dos criminosos. Não há como se resolver sem atacar a raiz do problema.

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