Flagrada na Operação Coffee Break, Rose é acusada de negócio de “R$ 7 milhões”

Na interceptação de Anny Cristina e Marly Débora além da conspiração elas comentam que a vereadora Rose estava acertada para ser a secretária de Educação de Olarte assim que assumisse a prefeitura receberia cerca de R$ 7 milhões.

As investigações e o depoimento das duas embasam a denúncia do Gaeco contra autoridades e vereadores arrolados no caso.

O acerto começaria com Ronam Feitosa, braço direito de Gilmar e Olarte e coletor de recursos na campanha do então vice-prefeito, que se enrolou com cheques frios e agiotagem. Um dos pivôs do escândalo no qual o Gaeco se debruçou por anos e culmina agora com a investigação que está na mão do Procurador Geral de Justiça, Humberto Brites, para denunciar ou não.

Sem dúvida, a ex-vereadora Rose figura como peça importante no governo Olarte. Ela aparece articulando em diversas ocasiões e era tratada com respeito pelo prefeito cassado ao ponto de ser elogiada como a “morena mais bonita de MS”.

São mais de 10 mil páginas do processo de investigação da Operação Coffee Break, que culminou com a denúncia ao TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) de 24 pessoas, por supostamente orquestrarem negociatas para a cassação de Alcides Bernal (PP). Todavia, algumas denúncias, como negócios de R$ 7 milhões não bastaram para incluir na lista de denunciados parlamentares que participaram do afastamento do progressista, em março de 2014.

Uma conversa entre duas testemunhas do processo, ouvidas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e que se apresentaram como ex-assessoras da vice-governadora e pré-candidata à Prefeitura da Capital, Rose Modesto (PSDB), não serviu ao MPE-MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) como indício suficiente para incluir a tucana no rol de denunciados.

A ex-assessora de Rose, Anny Cristina Silva Nascimento Sales, que se apresentou ao procurador responsável pelo Gaeco à época das investigações, Marcos Alex Vera, como ‘musica’ e como ex-assessora de políticos como o ex-deputado federal Antônio Cruz, o deputado estadual Rinaldo Modesto (PSDB) e da própria vice-governadora, contou que ouviu do homem apontado como ‘peça-chave’ no esquema de troca de cheques para compra de votos para cassação de Bernal, o ex-assessor de Gilmar Olarte, Ronan Feitosa de Lima, que ele e Rose acertariam um negocio milionário.

"Anny: Rose vai assumir secretaria de educação, amiga

Deborah: Ahan, tô sabendo

Anny: Amanhã o Ronan vai estar com ela, que eles vão fazer negócio ai que vai rolar quase R$ 7 milhões, pra ela lá
Deborah: Pois é"

Do outro lado da linha estava Marli Deborah Pereira de Campos, que também contou a Marcos Alex que trabalhou por oito anos com os irmãos Modesto, e que seria uma das prejudicadas por Ronan, que lhe pediu folhas de cheque em branco, a mando de Gilmar Olarte, para supostamente bancar a cassação de Bernal.

O pagamento da dívida foi prometido, segundo a testemunha, pelo próprio ex-vice-prefeito afastado, que ela conheceu quando Olarte assumiu a vaga de Rinaldo na Câmara da Capital, em 2006, que este tornou-se deputado estadual pela primeira vez.

Para o Ministério Público, como a atuação de Ronan precedeu em pelo menos sete meses a saída de Bernal, ele e seu então chefe, Olarte, já arquitetavam um plano para troca de comando no Paço Municipal.

Na denúncia oferecida pelo Ministério Público, o parquet afirma que ‘entre as vantagens indevidas oferecidas aos vereadores, para obter votos favoráveis à cassação do mandato do Chefe do Executivo’, Gilmar Olarte teria oferecido cargos junto ao Poder Executivo, dentre os favorecidos estariam a então vereadora Rose Modesto, com ‘a indicação de titular da Secretaria de Educação’, fato confirmado pela própria tucana em depoimento ao Gaeco.

Apesar das declarações e interceptações telefônicas, a denúncia assinada pelo atual Procurador-Geral de Justiça, Paulo Cezar dos Passos, afirma que contra a pré-candidata tucana à Capital ‘da análise minuciosa do resultado das investigações encetadas no presente caderno investigatório, assim como das interceptações telefônicas realizadas, ainda não foi possível formar a convicção de que solicitaram, receberam e aceitaram promessas de vantagens indevidas, tais como cargos públicos e indicação de correligionários a ocuparem cargos públicos junto ao Poder Executivo Municipal, bem como vantagens econômicas, não existindo, ao menos por ora, elementos suficientes para imputar-lhe as condutas delituosas em comento’.

Bomba! ex-assessor de Olarte diz que irá se entregar na próxima terça-feira

O ex-assessor de Gilmar Olarte, Ronan Feitosa, que também é réu na ação de corrupção passiva no caso dos cheques em branco, entrou em contato com a reportagem e disse que irá se entregar na próxima terça-feira (6). Ronan disse que sempre esteve a disposição da Justiça “Tenho endereço fixo, eles tem meu número”, disse. 

“Estou com um novo advogado e na terça eu vou ver onde vou me apresentar”, disse.  O desembargador Luiz Cláudio Bonassini decretou prisão preventiva do ex-assessor de Gilmar Olarte, Ronan Feitosa, que também é réu na ação de corrupção passiva no caso dos cheques em branco. Na decisão consta que ele já foi preso cautelarmente no começo da referida ação, derivada da Operação Adna.

Bonassi explica que Ronan não apresentou alegações finais, além disso não é encontrado pelos oficiais de Justiça para ser notificado. A família não soube informar seu paredeiro, o advogado renunciou à defesa por meio e o informou por Whatsapp.

 “Tais elementos comprovam que referido acusado encontra-se em local incerto e não sabido, tendo deixado o distrito da culpa sem nenhuma comunicação ao Juízo, conduta que atenta contra o trâmite regular do processo, caracterizando clara intenção de impedir a aplicação da lei penal e prejudicar a instrução criminal”.
“A fuga, como é classificada a conduta de quem se ausenta do distrito da culpa sem nada comunicar ao Juízo, é a principal hipótese legal para o decreto da prisão cautelar como forma de garantir a aplicação da lei penal”, diz o despacho.

“Agora, no ocaso do processo, desaparece, e mesmo diante da renúncia de seu defensor, não indica outro, em clara demonstração de que pretende obstruir a marcha processual e dificultar a aplicação da lei penal. Nesse contexto fica patente a necessidade do decreto da prisão preventiva, bem como que nenhuma das medidas alternativas previstas pelo artigo 319 do CPP surtiriam o efeito desejado pela Lei”.

O desembargador também estipulou 15 dias de prazo para que Luiz Márcio Feliciano apresente as alegações finais, “sob pena de abandono e da aplicação das demais sanções legais cabíveis”.

Fonte: 
http://www.folhadoms.com.br/index.php/images/propp/copq/iniciacaocientifica/wiki/Anna_jarvis?p=noticias_ver&id=69237

http://www.midiamax.com.br/politica/ex-assessor-olarte-ira-se-entregar-proxima-terca-campo-grande-313992

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